A revelação de que o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles possui uma offshore nas Ilhas Bermudas, semelhante às do deputado Eduardo Cunha é um escândalo de grandes proporções.
Embora os cidadãos comuns tenham esse direito, desde que o dinheiro seja lícito, o ministro que cuida das finanças brasileiras deveria ser solidário com a economia que comanda e jamais guardar dinheiro fora do país.
Não importa se o fez por motivo de herança ou de caridade.
Não interessa se o fez quando trabalhava no exterior para o Bank of Boston.
Ao se tornar ministro da Fazenda do Brasil deveria repatriá-lo.
Deveria ser dado de barato que funcionários públicos dessa relevância têm a obrigação moral de manter seus dinheiros não só no Brasil, mas no Banco do Brasil.
Se Meirelles não tem essa percepção não pode ser ministro da Fazenda do Brasil.
Soma-se a essa mácula fundamental outra até agora sem explicação: a de que ele recebeu da J&F, holding da JBS, ou seja, dos irmãos Wesley e Joesley Batista o montante de 180 milhões de reais em quatro anos, entre 2012 e 2016.
“Foi até pouco” declarou ele – na linha da ministra Luislinda, para quem salário de 31 mil mensais remete a trabalho escravo – porque o Banco Original, que ele montou para seus clientes vai render muito mais do que isso.
Claro que vai.
Mas isso não explica o que ele fez para merecer essa bolada inédita de empresários que sabidamente empregavam todas as ilicitudes possíveis em suas relações comerciais.
Um elefante atrapalha muita gente – e qualquer governo.
Mas um ministro da Fazenda sob suspeita atrapalha muito mais.
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