Opinião

Moratória ou juro zero contra colapso neoliberal

Dívida incontrolável

A dívida pública continua sem controle diante do colapso neoliberal aprofundado pela pandemia no novo coronavírus, como demonstram os dados divulgados, hoje, pelo tesouro nacional, sobre dívida pública que ultrapassou os R$ 5 trilhões, financiada a juro médio de 8%, enquanto a inflação anual se encontra abaixo de 4,5%; por conta disso, o ministro Paulo Guedes, em vez de convocar o mercado financeiro a contribuir, também, para o ajuste fiscal, dividindo essa tarefa com os setores não-financeiros, faz o contrário: ameaça a sociedade com mais arrocho; promete enxugar ainda mais gastos com educação e segurança, para continuar garantindo pagamento dos juros e amortizações aos rentistas sanguessugas da nação; nesse cenário de horror econômico, o BC quer elevar, ainda mais, a taxa de juros Selic, hoje, em 2,2%, porém, crescendo, vegetativamente, em quase 9% ao ano, conforme dados do tesouro, divulgados, nessa quarta-feira; o BC se aferra a velha ortodoxia de que a inflação, que voltou a crescer, decorre do excesso de demanda, contra a qual seu remédio é aumentar juros; a conta vai para cima do consumidor, que sofre, nessa semana, mais um reajuste no preço da gasolina, apesar da economia está semiparalisada e a arrecadação despencando por conta da retração do consumo; o BC vai contra a tendência mundial, de segurar juro na casa dos zero ou negativo, para conter dívida pública, maior fonte do déficit público, especialmente, devido à pandemia que pressiona gastos públicos.

Economicídio neoliberal

A dívida pública, portanto, por conta da política economicida praticada pelo BC continua sufocando a população, exigindo mais recursos orçamentários para pagamento dos serviços; o governo se encontra, completamente, rendido aos banqueiros; isso se comprovou com o encontro, nessa terça feira, do presidente Bolsonaro com os representantes da banca; esta pressiona pela manutenção do teto de gastos que congela por vinte anos, a partir do golpe de 2016, as despesas sociais, que, na verdade, são investimentos que puxam a demanda global, sem a qual o governo não consegue arrecadar tributos; hoje, Guedes, depois de, ontem, dizer que vai cortar mais na educação e na segurança, para ver se consegue recursos para sustentar auxílio emergencial aos quase 60 milhões de socialmente excluídos do processo econômico, ameaça congelamento por dois anos dos salários dos servidores; qual a reação da oposição? Moratória da dívida, para que o mercado dê, também, sua cota de sacrifício, ou juro zero por, no mínimo, um ano; esta é a alternativa que os governos dos países capitalistas desenvolvidos estão praticando, lembra o economista Petrônio Filho, consultor legislativo aposentado do Senado; feito isso, desafoga-se o orçamento, de modo a permitir maiores gastos nos setores sociais, que representam renda disponível para o consumo; sustentar o teto de gastos a ferro e fogo representa loucura neoliberal insuportável!!! A política monetária restritiva do Banco Central de enxugar sobras diárias de caixa dos bancos, remunerando-as a 8% ao ano, diante da inflação de 4%, em vez de forçar a banca a jogar mais liquidez na praça, para incrementar consumo, produção, arrecadação e investimentos, representa maior fonte de déficit público financeiro; este não deixa o país crescer nem socorrer os mais de 11 milhões de desempregados gerados pelo encavalamento do colapso neoliberal agravado pela pandemia do novo coronavírus.

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Cortes 247

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