O presidente da República Michel Temer teve um encontro com a presidente do STF, Carmen Lúcia, fora de agenda, na casa dela, em pleno sábado.
Um encontro clandestino, pode-se dizer, porque quando chefes de dois poderes realizam uma reunião ela deve ser oficial, constar da agenda, ter uma pauta e depois dela os convivas habitualmente falam à imprensa para explicar os assuntos tratados, pois ambos são empregados e devem satisfações à população.
Não foi o que ocorreu. Flagrado por repórteres Temer afirmou, rapidamente, que o assunto do encontro foi segurança pública. Cármen Lúcia não se manifestou.
Há razões, porém, para questionar a explicação. Se o assunto fosse mesmo segurança pública não haveria motivo para a reunião não acontecer em seu gabinete presidencial, num dia útil e não num sábado.
Ao contrário, Temer marcou a reunião por telefone, diretamente com Carmen Lúcia, fora de agenda, sem pauta determinada, sinalizando que desejava tratar de um assunto que preferia manter em sigilo, o que não se coaduna com o conceito republicano da transparência nas relações entre os poderes.
É justo suspeitar que ele tenha ido reclamar da decisão da chefe da PGR, Raquel Dodge, que mandou investiga-lo num episódio ocorrido antes do atual mandato – o jantar dos 10 milhões da Odebrecht – e provavelmente pedido apoio à sua tese, mas jamais saberemos, com certeza, o que eles conversaram.
Se o assunto fosse republicano deveria constar das agendas oficiais de ambos.
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