Geograficamente, o Niger é uma nação do interior da África Ocidental. Historicamente, faz parte do antigo império Songai. O Niger foi incorporado à África Ocidental Francesa em 1896. Em 1922 foi transformado em colônia. Em 1958, passa a ser uma república autônoma da comunidade francesa e, em 1960, abandona a comunidade proclamando sua independência.
O Niger tem uma democracia frágil que sempre foi pressionada por militares descontentes, passa por graves conflitos étnicos, teve várias tentativas de golpe e derrubadas de governos por militares.
A descoberta de urânio na década de 1970 provocou um salto no desenvolvimento, mas que declinou com a queda do preço dos produtos nas décadas seguintes.
No dia vinte e seis de julho passado, sob a justificativa de “contínua deterioração da situação de segurança e má gestão econômica e social“, os militares derrubaram o presidente Mohamed Bazoum.
Organizados em uma plataforma chamada Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CLSP), os golpistas leram comunicados em rede nacional de televisão, reafirmando seu “respeito por todos os compromissos assinados pelo Níger”.
“Pedimos a todos os parceiros externos que não interfiram“, acrescentaram, antes de decretarem o fechamento das fronteiras terrestres e aéreas “até que a situação se estabilize”.
A França possuía militares no norte do Niger com objetivo de assegurar o fornecimento de urânio às centrais nucleares francesas. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que está pronto para “defender os interesses de Paris na África”.
Talvez, quem sabe, a Rússia apoie a junta militar do Niger contra os antigos colonizadores franceses, em retaliação ao apoio da União Europeia à Ucrânia. Vladimir Putin pode dizer que, assim como a França, a Rússia também foi defender seus interesses quando decidiu invadir a Ucrânia.
A França controla a soberania monetária em diversos países africanos que, embora tenham assento na ONU e acenem suas bandeiras com independência, ainda estão sob o controle disfarçado do imperialismo.
Dificilmente a França se lançará em mais uma guerra, porque atravessa grave crise econômica e os franceses não estariam dispostos a bancar uma recessão.
Diplomaticamente, Emmanuel Macron usa o Presidente Lula como seu ‘biscoito da sorte’ diante da opinião pública mundial. Lula tem compromissos com os países africanos e refutará qualquer pedido de apoio vindo de Paris.
Caso a França reaja, terá como cortina, a máxima de ‘devolver a democracia’ ao povo do Niger. Então, mais um campo de guerra estará pronto para servir de palco para historiadores e afins. Séculos de colonização, expropriações, escravidão, assaltos e assassinatos estarão expostos.
Um professor terá a chance de explicar ao seu aluno o que foi e continua sendo a colonização, usando o exemplo da França possuir uma das maiores reservas de ouro do planeta, sem que tenha uma única mina em seu território.
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