Acho um erro defender a Vera Magalhães “pela metade”. Jean Wyllys está sendo cobrado por isso e demonstrou não ter uma resposta muito clara (a outra face da moeda é minimizar elogios a Jean dizendo que ele foi um BBB).
É meio infantil esse “agora ela sabe o que é bom”. Parece fofoca de vizinho.
Lula jamais teve um comportamento público assim. Basta pensar nisso para entender que é uma prática suicida.
Tem uma síndrome no ar: depois do ‘nós contra eles’ tem o ‘nós contra nós’.
Ninguém vai perdoar ninguém? Vamos afundar no puritanismo mequetrefe do “eu avisei”?
Quem preza a democracia tem de entender duas coisas. Uma: o mundo não gira em torno do seu umbigo (há pessoas que pensam diferente de você, que têm histórias diferentes da sua e que, ainda assim, não são criminosas).
Duas: parte considerável do país mergulhou na aventura golpista. Por falta de lastro, falta de cultura política, por burrice (o mau caratismo é consequência desses déficits).
E aí? O que fazer?
Esquerda cirandeira é essa (a que fica girando em torno das próprias mágoas e do próprio narcisismo).
A ideia da democracia exige convicções, mas exige algum equilíbrio.
O exemplo de Lula é emblemático: ele busca uma aliança com Marta Suplicy e dá de ombros para a gritaria que busca manter Marta no limbo. Lula sabe vencer eleições e sabe ‘produzir’ democracia.
Reprovar Marta Suplicy em um universo moral interno é menos importante do que garantir a interrupção de governos genocidas.
Esquerda é isso, é coletividade, não individualidade.
Marta errou (foi individualista), mas o cenário tornou a mudar.
A ‘esquerda cheia de convicções’ tem de entender que cenários mudam.
É curioso. Esse comportamento de ‘vizinho fofoqueiro’ da esquerda bomba nas redes sociais.
É o que ela parece ter de melhor em termos de retórica e de apelo ideológico.
Dá para entender porque estamos tão confusos, tão aflitos e tão desesperançados.
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