Não me conformo com as medidas que o juiz Marcelo Betas determinou ao transferir o ex-governador Sérgio Cabral para um presídio federal de segurança máxima no Mato Grosso do Sul.
Muito menos com o silêncio da imprensa, dos políticos, dos advogados, dos magistrados, enfim, de todos aqueles que deveriam estar indignados, mas entendem o fato como normal.
Não é.
Trata-se de alguma coisa semelhante a degredo, o que não se via no Brasil desde que os generais mandaram, em 1968, o ex-presidente Jânio Quadros passar 120 dias “isolado”, no duplex 606, do Hotel Santa Mônica, no centro de Corumbá, por ter feito críticas ao regime militar.
Cabral ficará – não se sabe por quanto tempo – num cubículo de seis metros quadrados, por ter feito críticas a um juiz.
O episódio abre um precedente gravíssimo: iguala os políticos presos na Lava Jato a chefes de organizações criminosas como o PCC que têm nas costas uma coleção de homicídios e barbaridades incontáveis e indescritíveis e comandam operações de dentro das celas.
O que ocorreu com Cabral pode ocorrer, daqui em diante, com todos na mesma situação. É um retrocesso sem precedentes.
Um absurdo que nem a ditadura militar acolheu.
Nos anos 70, quando as garantias e os direitos civis estavam suspensos, os crimes políticos eram diferenciados dos comuns, ainda que pudessem ser caracterizados assim.
Um militante que assaltasse um banco não era julgado como assaltante e sim como militante político e não ficava preso com assaltantes de banco, mas com presos políticos, em outra ala do presídio. Não recebia as penas de um assaltante, mas de um militante político.
A transformação de políticos em bandidos é uma das mais trágicas consequências do clima inquisitorial que se instalou no país a partir do julgamento da Ação Penal 470, conhecida por Mensalão e que chegou ao auge com a Operação Lava Jato.
Político é político.
Bandido é bandido.
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