Por Paulo Moreira Leite
Gravadas em março, quatro dias antes de Pazuello deixar o governo, quatro meses depois o vídeo constitui uma peça sob medida para uma operação política urgente. Destroçar a reeleição de Jair Bolsonaro e abrir caminho para um personagem dos sonhos da burguesia brasileira – um concorrente novo em folha, derradeira esperança para enfrentar Lula, considerado imbatível pela unanimidade dos analistas políticos.
Do ponto de vista de quem não quer sofrer uma derrota em clima de tragédia no ano que vem, o primeiro passo é livrar-se de um candidato atingido por uma desmoralização irremediável, para dar lugar a um candidato com cara de anjo e passado maleável para 1001 utilidades.
Esse raciocínio explica a fileira de gravatões do mundo político-econômico que, de uma hora para outra, resolveram dar seu apoio ao impeachment, num movimento tão apressado que sequer conseguem fingir indignação.
Não há nenhuma motivação ética nesse movimento, nenhum compromisso com o futuro da nação – apenas um cálculo político.
Depois de patrocinar o mais desastroso governo da história brasileira, o que se planeja é uma ação de emergência na política brasileira para impedir a reconstrução do país sob a liderança de Lula, que possui compromissos reconhecidos com as necessidades da maioria e já demonstrou capacidade para unir os brasileiros e brasileiros em torno de uma proposta de reconstrução nacional.
Com todas as peças em movimento – inclusive Bolsonaro, internado em São Paulo – este é o novo curso da política brasileira.
Em novo esforço para impedir a recuperação dos interesses do povo na política brasileira, procura-se um anti-Lula. Em 1989, seu nome foi Fernando Collor. Em 2018, Jair Bolsonaro. Em breve o rosto para 2022 deve ser apresentado ao país.
Ninguém sabe se a trama vai dar certo.
Mas todos podem ter certeza que os donos da política brasileira não aprendem nunca.
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