Antropólogos nos descrevem como um povo emotivo, com dificuldade para tomar decisões racionais neste mundo de tantas tragédias e tantas tristezas. Correta ou não, baseada em preconceitos ou em nosso complexo de vira-lata, somos um país de chorões de alma sofrida, que não resistem a um dramalhão. Mas agora chegamos a um limite.
Se Lula for impedido de velar o neto Arthur, partilhar a dor com os pais, irmãos, tios e tias de uma família que convive há tanto com a dor e o sofrimento de tantas pessoas próximas, é bom avisar que esse povo pacífico, amoroso e bem comportado, vai acabar perdendo a cabeça.
Pode sonhar sonhos que nunca teria, alimentar ideias e pensamentos que jamais admitiu em seu horizonte de ser humano.
Este é um aviso aos guardiões da lei e da ordem, aos juizes e aos tiras, aos verdadeiros homens de Estado e aos delinquentes que conseguiram ali se infiltrar.
Autorizar Lula a chorar o sangue de seu sangue, sua alma e sua carne, não é um favor que se presta a uma família. É um favor a vocês e a todos nós.
Neste país onde os direitos elementares, que distinguem os homens da maioria dos animais — como comparecer ao funeral do irmão Vavá — costumam ser negados pela arrogância e pela conveniência, a decisão de negar o adeus a Arthur irá despertar um ódio absoluto e sombrio como nunca se viu neste país.
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