É evidente que o ministro do STF Gilmar Mendes já recebeu muitas críticas e falou e fez coisas que mereceram reprovação não só minha, mas de muitos brasileiros.
Impediu Lula de ser ministro de Dilma. Sem explicação.
Manteve encontros secretos com Temer. Secretos até hoje.
Deu o voto de Minerva livrando-o da cassação.
Não é pequeno o rol de suas atitudes polêmicas e declarações contestáveis.
Mas é mister lhe fazer justiça no caso Sergio Cabral.
Quero lhe dar parabéns pela decisão constitucional de impedir a deportação do ex-governador para um presídio federal de segurança máxima, que abriga os mais perigosos chefes de quadrilhas sanguinárias, por ordem do juiz Marcelo Bretas.
O juiz entendeu como ameaça à sua integridade e à de sua família uma afirmação do interrogado, talvez petulante demais, talvez arrogante demais de que ele, juiz, saberia que joias não se prestam a lavar dinheiro já que seus parentes têm comércio de bijuterias no Saara.
E o castigou com a deportação para uma solitária no Mato Grosso do Sul.
Ainda bem que Gilmar Mendes não viu – tal como eu –ameaça alguma nesse diálogo, não havendo, portanto, justificativa para a efetivação da medida extrema do juiz carioca, jamais empregada antes contra qualquer acusado ou réu da Lava Jato e seus congêneres.
Gilmar impediu que se afrontasse a constituição, abrisse um grave precedente – sujeitando outros acusados da Lava Jato a procedimento idêntico – e enfatizasse ainda mais o estigma de que todo político é bandido, graças ao intenso bombardeio nesse sentido dos órgãos de imprensa de grande circulação nos últimos anos, que não só é mentiroso como irresponsável e que, em última análise, conspira contra a democracia, já que o regime não se sustenta sem políticos.
Não há que falar em bandidos na política enquanto não houver notícia de que seus crimes foram praticados com o uso de armas ou que desviaram dinheiro à mão armada ou praticaram crimes de sangue.
Cabral fez muitas coisas erradas e deve ser julgado com todas as prerrogativas a que tem direito, mas não é e jamais será Fernandinho Beira-Mar.
Gilmar Mendes não afirmou exatamente isso, mas quase.
Palmas para ele que – dessa vez – ele merece.
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