Trecho do romance “A mais longa duração da juventude” para a resistência hoje e sempre:
“A vida é o que resiste. Que contradição mais estranha, eu descubro e me digo: a vida, tão breve, é tudo que resiste. Mas que paradoxo: se ela está no tempo que se dirige para o fim, se ela é naquilo que deixará de ser, como resistirá à Irresistível? – É que existe uma resistência na duração do momento, pela intensidade, luz ou cintilação do breve. É como o brilho da estrela distante que recebemos agora, “agora” ainda. Mas esse agora simultâneo não há. O que vemos já não mais existe, tamanha foi a distância que a luz percorreu no espaço até atingir a nossa percepção. Mas isso é do terreno da física, mecânico, do reino dos trezentos mil quilômetros por segundo. O que escrevo é de outra natureza.
A resistência, que é vida, se faz na brevidade pelas ações e trabalho dos que partiram e partem. Mas nós, os que ficamos, não temos a imobilidade da espera do nosso trem. Nós somos os agentes dessa duração, o trem não chegará com um aviso no alto-falante, ‘atenção, senhor passageiro, chegou a sua hora’. Até porque talvez chegue sem aviso, e não é bem o transporte conhecido. O trem é sempre de quem fica. E porque somos agentes da duração, a nossa vida é a resistência ao fugaz. Nós só vivemos enquanto resistimos”
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