Não, não estou me referindo ao atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e à sua conta bancária de 200 milhões ou à sua irresistível atração por afundar o país num rombo de 500 bilhões até 2020 sem que nenhuma providência seja tomada por quem de direito, no caso o presidente-tampão.
Estou falando de uma sessão da Câmara dos Deputados de 27 de junho de 1841, na qual rolou o seguinte debate:
SR. FLORIANO DE TOLEDO: Sejam quais forem os defeitos do contador de S. Paulo posso asseverar à Câmara que não é ladrão e que tanto basta para não merecer a confiança do Sr. Calmon.
SR.RAMIRO: Não se dá maior insulto!
SR. CLEMENTE PEREIRA: Disse o nobre deputado que esse empregado é honrado, que não praticou com ladrões e que é quanto basta para não merecer as simpatias do Sr. Calmon! Srs, isto pode dizer-se nesta casa do ministro da Fazenda?
Alguns Srs.: Pode, pode.
Numerosos apoiados.
Outros Srs.: Não pode, não pode.
SR. CLEMENTE PEREIRA: Ninguém pode nesta casa chamar ladrão a alguém acobertando-se com a prerrogativa da inviolabilidade de deputado quando fora daqui o não poder fazer sem responsabilidade.
SR. FLORIANO DE TOLEDO: O Sr. Holanda Cavalcanti também já chamou aqui ladrão o Sr. Calmon.
SR.OTTONI: Em São Paulo, o Sr. Costa Carvalho (senador e ex-regente) também fez a mesma acusação (a de latrocínio) ao Sr. Calmon e o júri não achou matéria para acusação.
SR.FLORIANO DE TOLEDO: Então já estamos na posse do direito de o dizer!
Parece que sim, podia chamar o ministro da Fazenda de ladrão.
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