É provinciana e desprovida de qualquer sentido a forma com que O Globo se refere ao juiz Marcelo Bretas: o Moro do Rio. Moro é Moro e Bretas é Bretas, cada qual com suas virtudes e defeitos no cumprimento de sua missão profissional. A simbiose que O Globo produz em suas paginas é falsa em todos os sentidos e revela, quando nada, uma incontrolável torcida para fazer brotar no Rio um verdugo tão parcial quanto o das Araucárias. Além, obviamente, do vergonhoso provincianismo editorial.
De resto, o trabalho de Bretas põe abaixo a tese, tão cara ao jornal, de que os casos da Lava-Jato não podem ser desmembrados em outros juízos, sob pena de eventuais descaminhos. Está provado que o aparelho judicial brasileiro está preparado para dar sequência aos julgamentos, não guardando qualquer dependência em relação a um ou outro magistrado, em especial ao curitibano.
Mais do que prestigiar Moro, a tese faz tábula rasa da Justiça brasileira – que é muito maior e mais importante do que um reles magistrado durão.
Na verdade, ao tratá-lo com comparações infundadas, o Globo reduz o papel de Bretas a coadjuvante do colega . Personaliza lamentavelmente a eficiência da Justica. E passa a mensagem equivocada de que juiz sério é exclusivamente Moro. Daí porque Bretas seria a versão carioca do juiz paranaense. Em síntese, o uso da expressão “Moro do Rio” é um desserviço à Justiça na medida em que reduz seu caráter impessoal e imparcial.
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