Senti pena

Sinto pena do Brasil, que voltou à fome e à fidelidade canina com os EUA. Oficialmente, Jair nos representa. Na prática, não, pois ele insiste no discurso de ódio e perseguição, o da despetização. Seu discurso vazio não representa ninguém

Senti pena de ver a figura de Jair Bolsonaro sozinho, isolado num bandejão em Davos na Suíça, enquanto os maiores líderes mundiais, empresários e jornalistas discutiam questões urgentes, incluindo economia e meio-ambiente para o futuro global. Já Bolsonaro almoçava com seus asseclas num canto qualquer. Usar o discurso de que ele é simples e optou por comer em um lugar barato para economizar é conversa para boi dormir. Naquele momento não precisávamos de populismo e marketing barato. Um lado que nunca foi seu, fato comprovado quando usufruiu de auxílio moradia mesmo tendo imóvel próprio e do auxílio mudança. Bolsonaro recebeu da Câmara R$33,7 mil de auxílio três dias antes de renunciar ao mandato de deputado federal para assumir a Presidência.

A viagem do clã Bolsonaro já se previa um fracasso. Viajou no aerolula ao qual ele e sua trupe sempre criticou. Jair adora mostrar um lado populista. Sinto pena do Brasil, que voltou à fome e à fidelidade canina com os EUA. Oficialmente, o Jair nos representa, na prática, não, pois ele insiste no discurso de ódio e perseguição, o da despetização. Seu discurso vazio não representa ninguém.

"O Brasil é um grande país. Merece alguém melhor". São as palavras do americano Robert Shiller, prêmio Nobel de Economia. "Ele me dá medo", insistiu. Medo e insegurança, foi assim que empresários, economistas da elite mundial financeira internacional receberam, no Fórum Econômico Mundial, em Davos o discurso de Bolsonaro – que, em 6 minutos, disse que o Brasil "mudou". Bolsonaro quer que o país, atual 109.º na classificação, fique entre os 50 melhores países em quatro anos. Na visão de especialistas isso é impossível. Em 2007, o ex-presidente Lula brilhou em Davos, com um discurso forte, cheio de vontade e imponência, o estadista falou por quase 40 minutos. Três anos depois, o ex metalúrgico terminou seu mandato cumprindo boa parte de suas promessas, tanto que em 2010 recebeu do fórum o prêmio estadista do ano.

Jair e seus ministros cancelaram a última coletiva de imprensa. O motivo? Segundo seus ministros, cansaço, mas internamente o que pesou foram as fortes suspeitas em torno do filho o senador eleito Flávio Bolsonaro e de seu amigo Fabrício Queiroz.

Nossa nação voltou ao complexo de viras latas, da chacota internacional, de baixar a cabeça para os interesses dos EUA, sem patriotismo. O Brasil está dividido. Bolsonaro é a tragédia anunciada. A conciliação e o fim da corrupção estão longe de acabar, só acabou com o ministério da Cultura, do trabalho e do esporte. Ousou dizer que nosso país é o que mais preza pelo meio ambiente. Mentira!A cada dia nossas florestas são dizimadas pelos motosserras de ouro. Sinto pena daqueles que votaram na ilusão. Sinto pena do Brasil.

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