Por Alex Solnik
Nas primeiras horas do “day after”, Bolsonaro, apesar de ter sido derrotado (por pontos, não por nocaute) parecia começar a corrida pelo segundo turno em vantagem.
Conseguiu, com uma cajadada só, o apoio dos governadores dos três maiores colégios eleitorais do país.
Isso quer dizer que suas máquinas oficiais vão trabalhar a serviço do presidente, mas eles, como cabos eleitorais, não são grande coisa.
O atual governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que protagonizou um dos capítulos mais vergonhosos de adesismo da história recente, poderá até ajudar a eleger Tarcísio em São Paulo, mas não tem expressão nacional para trazer votos para Bolsonaro. E seu carisma é zero.
O governador de Minas, Romeu Zema, escondeu Bolsonaro durante a campanha, ou por temer que ele tiraria votos ou por oportunismo – para colher votos dos eleitores dele e dos de Lula. Será que o eleitor dele que no primeiro turno votou em Lula vai acatar sua indicação?
O governador reeleito do Rio, Cláudio de Castro, não tem envergadura para pedir votos a Bolsonaro, além de ser um aliado incômodo em razão do acúmulo de processos na Justiça.
Lula não tem governadores de peso para exibir, mas conseguiu o apoio mais cobiçado: o da candidata que ficou em terceiro lugar.
Simone Tebet teve cinco milhões de votos. É mulher. É do agronegócio. É convincente. É cristã. É mãe. Tem compromisso com a democracia.
E foi a mais contundente opositora de Bolsonaro nos debates.
Não é um apoio tímido, nem envergonhado. É apoio de quem vai fazer campanha junto e – é óbvio – governar junto. Tudo o que Lula precisava.
Se Lula mantiver seu eleitorado do primeiro turno (57 milhões de votos) e Simone acrescentar metade do seu eleitorado (2,5 milhões de votos), num total de 117 milhões de votos válidos, como no primeiro turno, Bolsonaro fica a ver navios.
Ela vai fazer mais por Lula que os três governadores juntos por Bolsonaro.
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