Bolsonaro não foi o único candidato da extrema-direita a ter mais votos nas urnas do que indicavam as pesquisas de intenção de voto da véspera.
O mesmo ocorreu com o candidato ao Senado por São Paulo, Marcos Pontes, que estava em segundo lugar, atrás de Márcio França; com o candidato a governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, também atrás de Haddad; com a candidata ao Senado pelo DF, Damares Alves e com 0 candidato ao governo do Rio, Cláudio Castro, que levou no primeiro turno. Para citar os casos mais notórios.
Esses resultados parecem corroborar a tese de Clifford Young, publicada hoje, na Folha, em matéria assinada por Naief Haddad.
Segundo Young, que é professor de análise da opinião pública na Universidade John Hopkins e presidente do instituto de pesquisas Ipsos nos Estados Unidos, “existe um tipo de eleitor que está presente no Brasil e também nos Estados Unidos e na Europa. Em geral, homem e de classe média baixa. Ele perdeu a esperança no sistema e quer quebrá-lo. Para esse eleitor, é melhor explodir tudo e começar do zero”.
Esse eleitor antissistema, que, no Brasil, é Bolsonaro, nos Estados Unidos é Trump e na França é Marine Le Pen, se recusa a responder às pesquisas porque não acredita nelas. E então sua intenção de voto entra no cômputo do “não respondeu”. Só que, na urna, ele vota no candidato da extrema-direita.
Tais eleitores representam, no Brasil, 3% do eleitorado, segundo as contas de Young, que já foi presidente da Ipsos no Brasil e há 20 anos acompanha o processo eleitoral brasileiro.
Numa disputa renhida como essa, esses 3% fazem toda a diferença.
Se as pesquisas, como a da Datafolha, dão vantagem de quatro pontos percentuais para Lula, ela pode ser, na realidade, de um ponto apenas. Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
E assim por diante.
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