Carta aos EUA sobre tarifaço foi tiro no pé, reconhecem aliados de Flávio Bolsonaro

Documento enviado ao governo Trump ampliou desgaste de Flávio Bolsonaro e deu força ao discurso de Lula em defesa da soberania nacional

Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula
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247 – A carta enviada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos passou a ser vista por aliados do senador como um movimento politicamente equivocado, capaz de ampliar seu desgaste e fortalecer a ofensiva do presidente Lula (PT) em torno da defesa da soberania nacional. A avaliação no entorno do pré-candidato é que o documento sobre o tarifaço fala sobretudo para eleitores já alinhados ao bolsonarismo, mas pode afastar setores independentes do eleitorado, relata Valdo Cruz, no G1.

Reservadamente, aliados de Flávio Bolsonaro reconhecem que a iniciativa deu munição para Lula acusar o senador de agir de forma “entreguista” e subordinada aos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A leitura é que a proximidade do filho de Jair Bolsonaro (PL) com o governo norte-americano terá de ser administrada pela campanha para reduzir danos políticos.

O centro da controvérsia está no pedido feito por Flávio para que Trump adie a eventual imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. No documento, o senador argumenta que uma medida imediata poderia favorecer politicamente Lula. Para aliados, porém, o tom adotado na carta produziu o efeito inverso ao pretendido: em vez de proteger o pré-candidato, abriu espaço para que o governo o apresentasse como alguém disposto a negociar concessões favoráveis aos Estados Unidos caso vença a eleição.

A reação de Lula veio rapidamente na quinta-feira (2). O presidente classificou a carta como “subserviente” aos interesses de Trump e associou o gesto a uma postura “entreguista” da família Bolsonaro. A resposta indicou que o Planalto pretende explorar o episódio eleitoralmente, vinculando o debate sobre comércio exterior ao tema da soberania brasileira. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, afirmou Lula.

O presidente também criticou o pedido para que a decisão sobre o tarifaço seja empurrada para depois da eleição. Para Lula, a proposta não enfrenta o problema das tarifas, apenas tenta transferir seus efeitos políticos para outro momento. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”, disse o presidente.

Lula acrescentou que “nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”. A declaração reforça a estratégia do governo de sustentar que eventuais barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil não têm fundamento aceitável e atingiriam diretamente interesses nacionais.

No Palácio do Planalto, a interpretação é que Flávio Bolsonaro sinalizou a Trump que, se eleito, estaria disposto a rever posições brasileiras para atender demandas norte-americanas. Essa leitura ajuda a explicar a reação dura do presidente e de seus auxiliares, que enxergam no episódio uma oportunidade de contrastar projetos políticos na campanha.

Outro ponto que incomodou o governo foi a menção, na carta, a temas ligados ao sistema financeiro e ao setor de pagamentos. Lula avalia que a proposta de reduzir tributos para operadoras de cartão de crédito recoloca o Pix no centro da disputa, justamente em um momento em que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é tratado pelo governo como uma política pública estratégica e popular.

Auxiliares presidenciais também contestam a afirmação de Flávio Bolsonaro de que o governo Lula não estaria disposto a negociar com os Estados Unidos. Segundo a equipe do presidente, o Executivo brasileiro vem mantendo canais de diálogo desde o primeiro movimento tarifário anunciado por Trump, com o objetivo de evitar prejuízos ao comércio bilateral e aos setores produtivos nacionais.

A carta ainda gerou reação negativa no Planalto por tentar relacionar o caso Banco Master às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Integrantes do governo consideram que o escândalo envolvendo a instituição financeira não tem relação direta com o debate tarifário e foi inserido no documento como tentativa de deslocar a discussão.

O episódio é politicamente sensível para Flávio Bolsonaro também porque o senador enfrenta questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O governo aponta que a carta omitiu o fato de Flávio ter pedido a Vorcaro apoio financeiro para um filme sobre Jair Bolsonaro.

Entre aliados do senador, a preocupação agora é limitar os danos. A avaliação é que o documento reforçou uma linha de ataque já utilizada por Lula contra o bolsonarismo: a de alinhamento automático aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio terá de explicar o pedido feito a Washington sem consolidar a percepção de que o pré-candidato colocou interesses externos acima dos interesses brasileiros.

A disputa em torno da carta indica que o tarifaço deve ganhar espaço central na campanha presidencial. Para Lula, o episódio permite associar o adversário a uma agenda externa e reforçar o discurso de defesa nacional. Para Flávio Bolsonaro, o desafio será transformar uma iniciativa vista por aliados como um tiro no pé em uma defesa politicamente sustentável de sua relação com Donald Trump e com o governo dos Estados Unidos.

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Cortes 247

2 responses to “Carta aos EUA sobre tarifaço foi tiro no pé, reconhecem aliados de Flávio Bolsonaro”

  1. Avatar de Jose Murilo Bonetti
    Jose Murilo Bonetti

    Apoiadores de Flávio ou são oportunistas para levar vantagem ou sao burros, Flavio é oportunista e burro, logo só dá tiro no pé.

  2. Cão entreguista. Aos bozo são quinta colunas. Traidores.

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