247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou duramente, nesta terça-feira (30), as declarações do jornalista bolsonarista Paulo Figueiredo contra o voto das mulheres brasileiras e afirmou que o episódio expõe uma visão “medieval”, em contexto de desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o eleitorado feminino. No Brasil, existem 156,7 milhões de eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral. As eleitoras representam 52,8% desse total. Em números absolutos, elas correspondem a 82,8 milhões, enquanto o eleitorado masculino soma 73,9 milhões de homens aptos a votar. Divulgadas em abril, as estatísticas se referem ao mês de março.
Na rede social X, o petista reagiu após Figueiredo afirmar, em vídeo no YouTube, que mulheres “votam muito mal”. Depois da repercussão negativa, o jornalista publicou uma imagem com a frase: “Mulher vota mal para caralho. Mude a minha opinião”. “Bolsonarismo inimigo das mulheres”, criticou Lindbergh. “A visão que essa turma tem das mulheres é algo medieval e inaceitável. As mulheres vão derrotar a extrema-direita em outubro”, acrescentou.
O parlamentar também associou Figueiredo ao núcleo político ligado a Flávio Bolsonaro e ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Ele é o maior aliado de Eduardo e Flávio Bolsonaro”, afirmou o deputado. “Ele é a trinca que dirige essa turma bolsonarista”, acrescentou.
O episódio ganhou peso político porque Figueiredo, Flávio e Eduardo Bolsonaro estiveram juntos em uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no fim de maio, em Washington. A aproximação reforçou as críticas de adversários ao grupo bolsonarista.
Mais treta na direita
A repercussão das declarações aumentou a pressão sobre Flávio Bolsonaro, que não se manifestou publicamente contra os ataques de Figueiredo às mulheres brasileiras. O silêncio do senador fortaleceu críticas de adversários e de setores que enxergam nas falas do jornalista um gesto de desrespeito às eleitoras.
A crise também aparece em meio a disputas internas no campo da extrema direita. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) mantêm forte presença entre mulheres conservadoras e ocupam espaço central na disputa por influência dentro do bolsonarismo.
Michelle preside o PL Mulher e se consolidou como uma das principais vozes femininas do bolsonarismo. Damares coordena a ala feminina do Republicanos e mantém relação próxima com a ex-primeira-dama.
Em 24 de junho, Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que foi maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro. O atrito entre Michelle e Flávio foi exposto publicamente após a ex-primeira-dama relatar desconforto com o tratamento recebido do senador em uma conversa telefônica. Michelle afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que teria sido desrespeitada e maltratada pelo enteado.
No caso de Damares, ainda estariam faltando mais articulações do senador junto à parlamentar para deixar mais sólido o apoio das mulheres na política e do eleitorado feminino à sua pré-candidatura à Presidência da República.
Entre as estratégias em curso no momento, o senador convidou Damares para colaborar na elaboração de um programa de governo voltado às mulheres.
Mas a relação com Damares também sofreu novo abalo nos últimos dias. Quando a senadora passou a receber ataques nas redes sociais, Flávio não saiu em sua defesa. Nesta linha, Paulo Figueiredo criticou a indefinição dela sobre ir a um encontro convocado por Flávio Bolsonaro e replicou uma mensagem que chamava a senadora de “palhaça” e “canalha”.
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