“Mesmo com ascensão social, Elza Soares nunca perdeu sua consciência de classe”, lembra Nêggo Tom

A história de Elza se mistura com a história das mulheres oprimidas do Brasil, disse o compositor, na TV 247. Assista

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247 – O cantor e compositor Ricardo Nêggo Tom, em “Um Tom de Resistência”, na TV 247, falou sobre a importância da cantora Elza Soares, falecida nesta quinta-feira (20), em decorrência de causas naturais, no Rio de Janeiro, aos 91 anos. “A Elza Soares tem uma importância muito grande para a representatividade, não apenas artística, mas também social”, disse Nêggo Tom.

“Mesmo tendo ascensão social, ela não se deixou afetar. Ela não perdeu a sua consciência de classe. Infelizmente, isso acontece com alguns artistas. Então, além de uma artista, a Elza foi uma personalidade. Ou melhor, é ainda e vai continuar sendo uma expressão da força da mulher”. 

A história de Elza se mistura com a história das mulheres oprimidas do Brasil. 

“A história da Elza tem passagens que se associam à história da mulher brasileira de um modo geral. Poucos sabem, mas a Elza foi obrigada a se casar aos 13 anos de idade com um amigo do pai dela, que havia abusado sexualmente dela”, disse Nêggo Tom. 

“A partir disso começa todo um processo de tormento na vida dela. Ela foi submetida à violência doméstica, à violência sexual. Ficou grávida aos 13 anos de idade. Aos 21 anos, ficou viúva e já havia perdido dois dos quatro filhos, devido à fome. Ela é a expressão da dor da mulher brasileira”, completou.

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