Indústria brasileira inicia 2025 com crescimento modesto e incertezas no horizonte

PMI sobe para 50,7, indicando leve expansão, mas demanda fraca, câmbio desfavorável e incerteza fiscal limitam crescimento

 A indústria automotiva brasileira produziu menos da metade de sua capacidade neste 1º bimestre de 2016, segundo a associação das montadoras, a Anfavea; "Em janeiro e fevereiro, operamos em ociosidade de 64%", disse o presidente da entidade, Luiz Moan, ao apresentar o balanço mensal; "A sustentabilidade do setor está bastante prejudicada", completou; segundo ele, o país tem capacidade para produzir 5 milhões de carros, caminhões e ônibus ao ano, mas deve fechar 2016 com 2,44 milhões fabricados, ou seja, metade da capacidade
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247 – A atividade industrial do Brasil avançou de forma modesta em janeiro, segundo levantamento da S&P Global divulgado nesta segunda-feira (5). O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor subiu para 50,7, ante 50,4 em dezembro, permanecendo acima da marca de 50, que indica expansão. No entanto, o desempenho reflete um cenário de fragilidade, com produção e demanda pressionadas por preocupações sobre a política fiscal, as condições monetárias e a taxa de câmbio.

“Os dados de janeiro pintaram um cenário um pouco preocupante para a indústria, que iniciou 2025 em terreno instável”, afirmou Pollyanna de Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.

Apesar da leve melhora no indicador, o ritmo de crescimento das novas encomendas foi o mais fraco dos últimos 13 meses, enquanto a produção ficou praticamente estagnada, interrompendo uma sequência de quatro meses de expansão. Somente fabricantes de bens intermediários relataram avanço, enquanto produtores de bens de consumo e de capital registraram retração.

A pesquisa indicou que os industriais estão mais otimistas sobre as perspectivas do que em dezembro, apostando em oportunidades de exportação, investimentos, novos produtos e sinais de recuperação em setores como o automotivo, o agrícola e o da construção civil. Esse otimismo levou a um aumento no número de contratações, com destaque para vagas temporárias.

“Embora a alta na criação de empregos pareça uma luz no fim do túnel, percepções dos participantes da pesquisa revelaram uma realidade marcante: a maior parte das vagas foi temporária, conforme as empresas fazem um jogo de espera, sem ter certeza de que o crescimento econômico esperado irá realmente se materializar”, observou De Lima.

As encomendas do exterior permaneceram em queda pelo terceiro mês consecutivo, refletindo a fraca demanda global. Paralelamente, os custos de produção cresceram em janeiro, impulsionados pela desvalorização do real frente ao dólar e ao euro, encarecendo matérias-primas e fretes.

Diante desse cenário, quase 15% dos produtores elevaram os preços de venda para repassar os custos mais altos, enquanto 5% ofereceram descontos para tentar estimular novos pedidos. A inflação dos preços ao consumidor, no entanto, caiu para a mínima em oito meses, demonstrando uma desaceleração no ritmo de repasses.

A indústria inicia o ano com desafios significativos, equilibrando incertezas fiscais e monetárias, oscilações no câmbio e um ambiente externo desfavorável. Ainda que haja sinais de otimismo entre os empresários, a retomada sustentada do setor dependerá de condições macroeconômicas mais favoráveis.

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