247 – Cinco policiais militares foram presos na manhã desta segunda-feira (16) durante uma operação que visa desarticular um esquema criminoso de extorsão contra ambulantes que atuam na região do Brás, em São Paulo, informa a Folha de S. Paulo. A ação, batizada de Aurora, é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pela Corregedoria da Polícia Militar e da Polícia Civil, e mira a rede criminosa responsável pelas práticas ilícitas. Além dos cinco policiais, outras quatro pessoas também foram detidas.
A operação cumpriu 15 mandados de prisão preventiva, sendo seis direcionados a PMs ativos e da reserva, além de uma policial civil. Outros 20 mandados de busca e apreensão também foram executados. Durante a ação, oito empresas tiveram sigilos bancários e fiscais quebrados, e as investigações revelaram detalhes do esquema criminoso que operava na região do Brás, explorando trabalhadores vulneráveis.
Segundo o Gaeco, as investigações começaram após receber um ofício da Corregedoria da PM informando que policiais — incluindo cabos, soldados e sargentos — vinham exigindo pagamentos periódicos de ambulantes para permitir que continuassem atuando na região. A Promotoria detalhou que muitos dos trabalhadores eram imigrantes da América do Sul, sem acesso a crédito formal, o que os obrigava a recorrer a agiotas para obter dinheiro. Esses agiotas, por sua vez, utilizavam-se da ação de policiais militares para cobrar de maneira agressiva os débitos em aberto.
“Vários vendedores são imigrantes de países da América do Sul e não possuem acesso a linhas de crédito, se vendo obrigados a procurar agiotas para obter dinheiro e repassar aos criminosos. Esses agiotas usavam dos serviços dos mesmos policiais militares para cobrar, de forma violenta, os inadimplentes“, explicou a Promotoria.
O corregedor da PM, coronel Fabio Sérgio do Amaral, informou que os crimes ocorriam desde pelo menos o ano passado, com os criminosos atuando como se fossem “donos das ruas”. Segundo ele, um cabo costumava patrulhar as ruas em sua moto, fardado, abordando comerciantes para intimidá-los. Nos dias de folga, ele retornava ao local para exigir pagamentos.
A ação apreendeu planilhas que detalham os valores movimentados pelo grupo criminoso. Em um dos locais alvo da operação, foram encontrados R$140 mil escondidos em sofás, camas e outros móveis, que seriam parte dos ganhos da quadrilha.
Além disso, uma testemunha protegida relatou ao Gaeco que, nos últimos seis anos, tem trabalhado nas imediações da Rua Tiers e que recentemente foi abordada por criminosos que exigiram pagamentos de R$ 15 mil por ano, além de R$ 300 por semana, para que continuassem autorizados a trabalhar na região. A vítima afirmou que, caso falhasse um único dia, a barraca era retirada imediatamente.
Até o momento, quatro vítimas aceitaram se identificar — todas imigrantes, entre elas bolivianas e equatorianas. O corregedor alertou que existem outras vítimas que ainda não se apresentaram, motivadas pelo receio de represália.
Outra informação preocupante é que uma escrivã da Polícia Civil, que ou é ou já foi companheira de um sargento da PM, foi flagrada junto com outras pessoas praticando ações de extorsão e intimidando comerciantes no mesmo esquema criminoso. A revelação complica ainda mais o cenário da operação e reforça a gravidade do caso.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:






Participe da discussão