Os indicadores de confiança divulgados pela FGV fecharam o mês de junho com boas notícias. O destaque fica por conta da confiança do setor de serviços, em alta relevante, enquanto a confiança do consumidor se manteve estável. No conjunto, os índices permanecem em patamar relativamente elevado.
Vale lembrar que se trata de pesquisas qualitativas, de sentimento — aquilo que os economistas chamam de soft data, e não de hard data, os números efetivos da atividade. Ainda assim, embora sejam amostras de opinião e, nesse sentido, instrumentos relativamente grosseiros, esses indicadores guardam correlação bastante razoável com o nível de atividade econômica. Quem acompanha a série há mais de uma década se recorda do mergulho que esses índices sofreram na crise de 2013 e 2014. Hoje, o movimento é o oposto: os dados são compatíveis com a recuperação que o Brasil vem registrando.
E essa recuperação se dá apesar do juro alto. Mesmo com a Selic em 14,25%, a economia dá sinais de força — algo que ficou evidente no relatório de política monetária divulgado na semana passada, em linha com o que mostram agora os indicadores da FGV.
Boa parte dessa melhora de sentimento tem relação com o conjunto de programas sociais em curso. O Desenrola, agora voltado aos adimplentes, soma-se à isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ao Pé-de-Meia, ao Vale Gás, ao Bolsa Família e à manutenção do BPC. Todos esses programas produzem transferência de renda e estímulo ao consumo, com impacto direto sobre o setor de serviços. Como os serviços respondem por cerca de 70% da economia, não surpreende que a FGV capture esse efeito em seus indicadores de percepção.
O retrato, portanto, é de uma economia robusta. Não há sinais de crise: a atividade segue em expansão e a confiança do consumidor se mantém consistente, com crescimento que provavelmente se concentrará no terceiro e no quarto trimestres. A contrapartida é a pressão inflacionária latente — a economia “andando” não facilita a vida do Banco Central. A boa notícia é o crescimento; a má notícia é a inflação ainda à espreita.
Fica, assim, o destaque do mês: a alta da confiança no setor de serviços, um sinal relevante e, no balanço, uma boa notícia para a atividade econômica brasileira em junho.
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