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Sinais trocados

Nova equipe econômica é uma ducha de água fria nos setores progressistas

Nova equipe econômica é uma ducha de água fria nos setores progressistas
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Os dois primeiros nomes anunciados como integrantes do Ministério de Dilma Roussef para o segundo mandato da presidente foram uma ducha de água fria nos setores progressistas. Teve gente se perguntando se o Ministério será de Dilma ou de Aécio Neves.

Joaquim Levy, diretor do Bradesco ligado ao PSDB, representa praticamente tudo o que o PT apontava de negativo em Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda caso Aécio vencesse a eleição. Levy inclusive colaborou com a campanha tucana.

Afinal, o que foi dito acerca de Armínio e, antes, de Neca Setúbal não era para valer?

A indicação de Kátia Abreu para a pasta da Agricultura é outra carregada de simbolismo. Ela substituiu Ronaldo Caiado no papel de principal líder dos ruralistas no Congresso. E, no Congresso, esteve na linha de frente para barrar toda e qualquer iniciativa progressista no meio rural. Não por acaso, mal surgiram as primeiras especulações sobre seu nome como ministra. O MST fez uma manifestação em protesto.

Vejamos o que diz a seu respeito o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), figura historicamente ligada a movimentos de defesa dos direitos humanos: “Eu seria hipócrita se mudasse de opinião sobre Kátia Abreu. Como deputada do DEM teve papel relevante para impedir a votação da PEC da expropriação das terras usadas para trabalho escravo. Ela teve também papel relevante para pasteurizar o Código Florestal. Para a militância dos direitos humanos são dois temas centrais. Também tem forte contencioso com indígenas e quilombolas. A reação ao nome dela é forte nos movimentos.”

O que uma pessoa assim vai fazer no Ministério da Agricultura de um governo progressista?

É verdade que a confirmação de Miguel Rossetto para a Secretaria-Geral da Presidência, anunciada dias depois, foi uma boa notícia, tendo sido bem recebida pelos setores progressistas. Rossetto é comprometido com o aprofundamento da democracia e o combate às injustiças sociais.

Ainda é cedo para qualquer julgamento do que será o segundo mandato de Dilma. Os nomes mal recebidos pelo movimento popular podem ter sido apenas um preço inicial, pago aos setores conservadores para buscar algum tipo de apoio ao governo. De qualquer forma, não se trata de duas pastas secundárias. E a Fazenda dá a tônica da política econômica. Se Levy puser em prática o que tem defendido, a política aplicada será muito parecida com o que seria a de um governo Aécio Neves.

Além disso, na política os símbolos são muito importantes. Não é pouco relevante a nomeação de um conhecido neoliberal para a pasta da Fazenda, nem a da maior adversária dos trabalhadores rurais para a Agricultura. Se foram sinais do que será o segundo mandato de Dilma, foram maus sinais.

A presidente precisa ter presente que foi a politização da campanha e a demarcação de campos – de um lado a elite, de outro o povo, para tratar as coisas de forma simplificada – que permitiu a vitória no dia 26 de outubro.

Ceder espaços exagerados aos adversários na condução do governo não dará suporte ao governo. Não é a boa vontade da oposição – que, em boa parte, já dá mostras de flertar com o golpismo – que trará estabilidade.

Ao contrário. É preciso definir objetivos claros e montar uma equipe identificada com eles e capaz de buscá-los. Isso, e não a entrega dos anéis, é o que dará força e estabilidade ao governo Dilma.

Pensar o contrário é desmobilizar o movimento popular que, ao fim e ao cabo, é o maior pilar de sustentação do governo.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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