Opinião

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Depois que o STF delegou ao Senado a decisão do impeachment e o impeachment se tornou inviável… depois que Renan ameaçou tirá-lo da presidência do PMDB… depois de vazar a mensagem em que Cunha disse a Léo Pinheiro “você deu 5 paus ao Michel”… e depois de conversar com as pitonisas do oráculo de Delfos… Temer decidiu saltar do bonde do Cunha, apagar 2015 da memória e começar vida nova em 2016.

Depois de ver que não podia confiar em Picciani para se garantir na Câmara… depois de perceber que depois de derrotado o impeachment o governo vai precisar de um PMDB unido… depois de descobrir que estava na hora certa de deixar Cunha falando sozinho e se entender com o STF… depois de avaliar que uma verdadeira aliança com o PMDB deveria contemplar ideias do partido na pauta do governo… e depois de conversar com o oráculo de São Bernardo… Dilma decidiu apagar 2015 da memória e começar vida nova em 2016.

E a partir de agora Temer e Dilma cantam assim:

Temer: Eu sem você/ não tenho porquê/Porque sem você não sei nem chorar/Sou chama sem luz/ jardim sem luar/Luar sem amor/ amor sem se dar/Eu sem você sou só desamor/Um barco sem mar/ um campo sem flor/Tristeza que vai, tristeza que vem/Sem você, meu amor, eu não sou ninguém/

Dilma: Ah! Que saudade/Que vontade de ver renascer nossa vida/Volta, querido/Teus abraços precisam dos meus/Os meus braços precisam dos teus/Estou tão sozinha/Tenho os olhos cansados de olhar para o além/Vem ver a vida/Sem você, meu amor, eu não sou ninguém (*)

(*) “Samba em prelúdio”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes

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Cortes 247

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