O esforço da “Folha de S.Paulo” em fornecer subsídios à Lava Jato na tentativa de envolver Lula em ilícitos chegou hoje ao auge. O jornal dedicou a manchete e quatro páginas inteiras – e olha que quatro páginas de jornal standard não é pouca coisa – a um sítio de Atibaia “usado” por Lula, que “teria sido” reformado pela Odebrecht.
Ou seja, sem condições de afirmar nada com certeza porque não há provas de que o sítio seja de Lula, o diário ainda assim dedica um espaço inusitado ao assunto, tentando transformar indícios em julgamento conclusivo.
Não me lembro de nenhum outro tema que tenha consumido tantas páginas de uma só edição, a não ser a entrevista em que Roberto Jefferson delatou, em 2005, o esquema que ele chamou de “mensalão”.
E tudo isso sustentado apenas por depoimento de ex-dona de loja onde o engenheiro da Odebrecht – que diz que não trabalhou nessa obra para a Odebrecht – fez as compras em dinheiro vivo, segundo ela afirmou. Mas esqueceu de fotografar. Temos então que nos fiar apenas em suas palavras.
É possível imaginar que o esforço do jornal tenha por objetivo encontrar um Fiat Elba na vida de Lula, mas o paralelo é frágil porque no caso de 1992 havia um cheque assinado por Paulo César Farias que pagou o automóvel da primeira dama Rosane Collor. E no caso em que tenta envolver Lula não há cheques nem assinaturas nem dele nem de ninguém próximo a ele, nem gravações.
O sítio pode até ser do Lula e a reforma pode até ter sido feita pela Odebrecht – e se a “Folha” tivesse as provas disso as quatro páginas fariam algum sentido. Só não entendo por que dedicar tanto espaço a insinuações.
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