Foi uma festa imodesta.
O Palácio do Planalto, dando sequência à sua inexorável campanha de contenção de gastos desembolsou 500 mil reais para comemorar o dia do samba, com direito a sambadinha de Michela Temer ao lado de Carlinhos de Jesus e um Temer sem jogo de cintura, para variar.
Mas o que mais me chocou foi a notícia de que Fafá de Belém cantou o Hino Nacional em troca de 15 mil reais.
Um cachê irrisório se não tivesse o simbolismo que tem.
Os que viram a campanha das Diretas Já, em 1984, lembram-se de como ela forçou a barra para se transformar em garota propaganda do evento, entrando nos comícios sem ser convidada para cantar o Hino Nacional oficial ou o não-oficial, a “Canção do Estudante”, de Milton Nascimento.
Em entrevistas, ela se declarou entusiasta do PT e de Lula, mas se pendurou em Tancredo e em Ulysses, impressionados com a exuberância da moça.
Durante muitos anos seguintes viveu da fama de “musa das Diretas”.
Foram necessários trinta anos para descobrir que ela não aprendeu nada com Ulysses e Tancredo.
Aderiu a um governo golpista, misógino, usurpador, antipopular que está implantando um programa no qual ninguém votou num piscar de olhos, em troca de 15 dinheiros.
Agora é a musa das Indiretas Sempre.
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