Não concordo, em gênero, número e grau com o linchamento dos entrevistadores de Temer no Roda Viva de anteontem.
Muitas críticas, inclusive, feitas por pessoas que confessam não ter visto o programa. Ainda assim, tiraram conclusões a priori, como, por exemplo, que ninguém iria perguntar a respeito do cheque nominal de 1 milhão de reais.
Só que essa pergunta foi feita.
Só que essa e outras perguntas Temer não respondeu senão com evasivas.
Temer se esquivou de responder, e não os jornalistas de perguntar.
É desanimador constatar que muitos daqueles que denunciam diariamente o linchamento moral do Lula, no que estão cobertos de razão, participam do linchamento de jornalistas por terem sido favoráveis ao impeachment. Negar-lhes o direito de opinião é inaceitável.
Médico não fala mal de médico.
Advogado não fala mal de advogado.
Juiz não fala mal de juiz.
Mas jornalista adora falar mal de jornalista.
O jornalismo morre um pouco quando jornalistas falam mal de jornalistas.
Criticaram o Noblat por ter perguntado como Temer conheceu sua mulher, uma atitude que beira à censura, tentando passar a ideia de que era uma pergunta chapa branca, mas não disseram que o mesmo Noblat perguntou o que aconteceria se Lula fosse preso e Temer, que poderia também ter saído pela tangente, disse que isso traria instabilidade ao seu governo.
Essa revelação valeu o Roda Viva.
É espantoso que, em vez de ressaltar essa opinião, os blogueiros têm enfatizado a conivência dos jornalistas que não aconteceu.
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