Opinião

O sorriso do Frankenstein

“O tríptico de expressões de Alexandre de Moraes durante a “sabatina” de ontem na CCJ, que ocupa metade da primeira página da “Folha” de hoje fala por si só. Dispensa legenda”, diz o colunista do 247, Alex Solnik; “É um estranho no ninho. Não precisa nem abrir a boca para chegarmos a essa conclusão. Não…

"O tríptico de expressões de Alexandre de Moraes durante a "sabatina" de ontem na CCJ, que ocupa metade da primeira página da "Folha" de hoje fala por si só. Dispensa legenda", diz o colunista do 247, Alex Solnik; "É um estranho no ninho. Não precisa nem abrir a boca para chegarmos a essa conclusão. Não tem cara de ministro do STF, não tem pinta de ministro do STF, mas será ministro do STF. Se Antônio Carlos Magalhães estivesse vivo diria: - Ora, essa! Estão estranhando o que? Um mordomo de filme de terror só poderia escolher um Frankenstein! Um Frankenstein domesticado, disposto a fazer tudo o que seu mestre mandar, principalmente assustar os inimigos"
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O tríptico de expressões de Alexandre de Moraes durante a “sabatina” de ontem na CCJ, que ocupa metade da primeira página da “Folha” de hoje fala por si só. Dispensa legenda.

Na primeira foto à esquerda ele aparece pensativo, com cara de desdém, o olhar baixo e frio, o polegar da mão esquerda encostado nos lábios, numa expressão em que parece forçar-se a ficar quieto para não dizer o que pensa. Cara de poucos amigos.

Na segunda, o olhar é desconfiado, inquiridor, tenso, policialesco, olhar de quem vigia; a trilha sonora ideal para ela poderia ser um acorde típico de filmes de terror.

Na terceira, desajeitado, ele ensaia uma expressão simpática, tenta sorrir e aí se percebe porque ele nunca sorri: fica pior sorrindo, mais assustador; não provoca empatia, mas distanciamento; é o sorriso do Frankenstein.

Nenhuma das expressões denota compreensão, sabedoria, inteligência, justiça, humanidade.

Ele não se parece com nenhum dos outros oito ministros do STF.

Não tem a expressão contida, mas profunda e inteligente de Edson Facchin; não tem os olhos vivos e o humor de Lewandowski; não tem a empáfia contida de Dias Toffoli; nem a suavidade de Luis Roberto Barroso; nem o estilo “amigo, irmão, camarada” de Marco Aurélio Mello; muito menos a franqueza e a bagagem de Celso de Melo ou a expressão rude, mas de notório saber de Gilmar Mendes, muito menos o olhar inteligente de Luis Fux.

É um estranho no ninho. Não precisa nem abrir a boca para chegarmos a essa conclusão.

Não tem cara de ministro do STF, não tem pinta de ministro do STF, mas será ministro do STF.

Se Antônio Carlos Magalhães estivesse vivo diria:

– Ora, essa! Estão estranhando o que? Um mordomo de filme de terror só poderia escolher um Frankenstein!

Um Frankenstein domesticado, disposto a fazer tudo o que seu mestre mandar, principalmente assustar os inimigos.

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