Opinião

Ministro da Fazenda sob suspeita atrapalha mais que elefante

“A revelação de que o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles possui uma offshore nas Ilhas Bermudas, semelhante às do deputado Eduardo Cunha é um escândalo de grandes proporções. Embora os cidadãos comuns tenham esse direito, desde que o dinheiro seja lícito, o ministro que cuida das finanças brasileiras deveria ser solidário com a economia…

Ministro da Fazenda Henrique Meirelles durante reunião em Brasilia 31/07/2017 REUTERS/Adriano Machado
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A revelação de que o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles possui uma offshore nas Ilhas Bermudas, semelhante às do deputado Eduardo Cunha é um escândalo de grandes proporções.

   Embora os cidadãos comuns tenham esse direito, desde que o dinheiro seja lícito, o ministro que cuida das finanças brasileiras deveria ser solidário com a economia que comanda e jamais guardar dinheiro fora do país.

   Não importa se o fez por motivo de herança ou de caridade.

   Não interessa se o fez quando trabalhava no exterior para o Bank of Boston.

   Ao se tornar ministro da Fazenda do Brasil deveria repatriá-lo.

   Deveria ser dado de barato que funcionários públicos dessa relevância têm a obrigação moral de manter seus dinheiros não só no Brasil, mas no Banco do Brasil.

   Se Meirelles não tem essa percepção não pode ser ministro da Fazenda do Brasil.

   Soma-se a essa mácula fundamental outra até agora sem explicação: a de que ele recebeu da J&F, holding da JBS, ou seja, dos irmãos Wesley e Joesley Batista o montante de 180 milhões de reais em quatro anos, entre 2012 e 2016.

   “Foi até pouco” declarou ele – na linha da ministra Luislinda, para quem salário de 31 mil mensais remete a trabalho escravo – porque o Banco Original, que ele montou para seus clientes vai render muito mais do que isso.

   Claro que vai.

   Mas isso não explica o que ele fez para merecer essa bolada inédita de empresários que sabidamente empregavam todas as ilicitudes possíveis em suas relações comerciais.

   Um elefante atrapalha muita gente – e qualquer governo.

   Mas um ministro da Fazenda sob suspeita atrapalha muito mais.

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Cortes 247

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