O país – e o mundo – foram obrigados a ver, nesta última semana, o quanto a aplaudida Lava Jato se transformou em um circo dos horrores.
A cena do ex-governador Sérgio Cabral acorrentado pelos pés e algemado, dizendo ao policial federal (este com o rosto escondido) “tira, está doendo”, enquanto era obrigado a andar até a cela onde ficará na solitária por 15 dias, por ordem do juiz Sérgio Moro, nos permitem algumas reflexões:
1- Moro alegou que Cabral recebia regalias na prisão, como queijo. Se assim ocorria, por que não investigar como tais regalias chegavam até ele e punir os responsáveis ao invés de transferir o preso para outra cidade, de avião, sob forte escolta, algo oneroso ao dinheiro público.
2- Qual a necessidade de acorrentar – ou de até mesmo algemar – uma pessoa que não cometeu crime violento e nunca apresentou resistência alguma?
3- O que justifica uma cela isolada, sendo que Cabral foi retirado do presídio onde estava e foi levado pra outro, em outra cidade?
4- O Sistema Carcerário do país é a personificação da falência de nossa Justiça, sendo incapaz de recuperar a população carcerária e servindo de universidade para o crime. Se um preso, conhecido e posicionado em frente às câmeras, é tratado dessa forma, o que podemos esperar das centenas de milhares de anônimos amontoados em nosso presídios?
5- Tudo justificado e vendido aos espectadores dos jornais como “um exemplo de combate à corrupção” por um Judiciário caro, lento, ineficiente repleto de irregularidades e ostentador de altíssimos salários e de regalias inimagináveis ao cidadão comum ou mesmo por um Ministério Público seletivo e corporativista.
Independentemente do crime cometido por Cabral ou por quem quer que seja, o Brasil virou uma terra de justiceiros e onde devido processo penal e até o sistema prisional se transformaram em um circo dos horrores sob os aplausos do linchamento coletivo e sobre a reputação – a tempos perdida – do jornalismo.
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