Um dia nublado no Rio de Janeiro, no mês de agosto do ano 2019.
Para alguns desavisados poderia estar rolando uma gravação artística de um longa ou curta metragem. “Afinal a Cidade Maravilhosa é funcionalmente uma metrópole recheada de beleza e caos; e um dos “atores” da Cena portava uma arma de brinquedo”.
O ritmo é frenético nesta URBE brasileira, que formiga de vidas desempregadas, depressivas e desalojadas. Existem professores mendigando (eu já vi) tanto no centro, como na zona sul da antiga capital do Brasil – outrora sede do governo federal.
Na calçada do Museu da República, caminho percorrido muitas vezes pelo mulato Machado de Assis (que carregava seu cãozinho Zero no bolso da casaca) – atualmente esbarramos com pessoas em estado de indigência, muitas delas são professores, engenheiros, advogados, pintores, escritores. E o velho LARGO DO MACHADO – homenagem ao ilustre morador que residiu na Rua do Catete 206 e na Rua Cosme Velho 174, com sua amada Carolina – também abriga humanos sob extrema penúria.
Indigência é um estado de inópia e amplitude de desdém e segregação. Pois é, e deveria ser um caso abominável. Recentemente a Fundação Getúlio Vargas divulgou pesquisa que demonstra um crescimento da Desigualdade econômica e social no Brasil com índice de 0,6257, valor mui próximo de 1,0, lamentavelmente.
E voltando ao escritor Machado de Assis, que nasceu no Beco do Livramento, no centro do Rio de Janeiro, no século XIX, filho de mestiços, é claro que comemoramos seu ingresso para a história. Assim como Machado, William Augusto da Silva era mestiço e pobre; e uma de suas falas antes de morrer através de tiros que partiram da ponta de fuzis de snipers foi: Eu não quero machucar nem levar os pertences de vocês, só quero entrar para a história”.
Neste momento eu não conheço toda a biografia deste jovem brasileiro, abatido na operação empreendida hoje cedo no Rio, o que sei é que vendo a foto dele, achei seu rosto com traços similares ao do fundador da Academia Brasileira de letras: Joaquim Maria Machado de Assis, um talentoso escritor que também tinha depressão, era epilético e nasceu muito pobre; Augusto e Machado são palavras que significam respectivamente: “sagrado” e “seguidor de São Francisco de Assis”.
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