As imagens insólitas nos quadros de René Magritte, que buscam o permanente contraste entre a atmosfera real e irreal de objetos e homens, deveriam estar percorrendo o país numa exposição itinerante.
No quadro Os amantes, um casal se beijando com os rostos envolvidos por um pano, como se fossem carrascos, sintetiza a relação entre o presidente da República e sua equipe ministerial. Poderia se intitular, O beijo e a forca!
Em Golconda, homens idênticos, vestidos com sobretudos e chapéus-coco parecendo gotas de chuva, representa o fanatismo do movimento que apoia o bolsonarismo. Poderia se chamar, Tempestade tóxica.
Atravessamos um período surreal iniciado no golpe parlamentar de 2016, que foi semeado sob a ponte para o futuro, tendo desabrochado nesse governo que aí está, surreal, distópico e kafkiano.
Dentro desse contexto tem assento o maior ícone da contracultura brasileira, o compositor, poeta e acumulador compulsivo, Damião Experiença, uma espécie de Zumbi do Mato.
À beira da inexistência Constitucional e dos efeitos da psico-sociopatia delirante de Bolsonaro, o surrealismo, a estética e o estilo impreciso e confuso de Damião Experiença, se assemelha ao método utilizado pelo presidente.
Damião utilizava um dialeto criado por ele, o dialeto do Planeta Lamma, suas composições misturam João Cândido com Hitler; Pieter Botha com Bob Marley; Manuel Du Bocage com Getúlio Vargas.
Jair Bolsonaro é uma colagem lírica e visionária do surrealismo contraditório de Magritte e do confusionismo neologístico de Damião Experiença.
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