Opinião

Destino de estátuas envolve democracia

“O debate sobre o destino de estátuas e monumentos de nossas cidades pode ser uma oportunidade útil para fortalecer a democracia,” escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia. “A condição é que se adote a regra de realizar plebiscitos que permitam à população ter a palavra final sobre seu destino”.

Estátua ganha máscara para incentivar a população a se proteger
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A revisão do papel de personagens históricos é um exercício indispensável no esforço — que deveria ser permanente — de toda sociedade para compreender o passado  e projetar um futuro adequado a seus interesses e necessidades.

Vistos como presença quase natural na paisagem de uma cidade em determinada época, estátuas e monumentos estão longe de cumprir uma função apenas decorativa. Expressam valores e reafirmam ideias típicas de determinada época,  que podem se revelar perniciosos e até ofensivos ao longo do tempo.

São Paulo é uma cidade com uma proliferação imensa de bandeirantes, protagonistas da colonização portuguesa, que oprimiu povos indígenas e abriu caminho à escravidão que trazia cativos da África.

Erguidas num período de afirmação política da elite paulista, sua exibição nos dias de hoje serve de homenagem a um anacronismo que não corresponde aos valores de uma sociedade democrática, que reconhece a busca pela igualdade e a prática da solidariedade como valores indispensáveis às sociedades humanas.

Essas peças podem ser úteis  para estudo em museus, mas são perfeitamente dispensáveis em espaços públicos que servem de ponto de encontro de homens, mulheres e especialmente crianças que caminham em direção a um futuro. Podem encantar e também podem ofender e até humilhar.

Por isso, cabe a própria população decidir o que fazer com eles. Em qualquer caso, o essencial é afirmar que o povo é dono de sua memória e de seu destino.

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Cortes 247

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