Opinião

Revolução periférica ou massa de manobra?

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Por Ricardo Mezavila

Ainda repercute a ação do grupo Revolução Periférica, que reivindicou o ataque à estátua de Borba Gato, o bandeirante Ustra, na cidade de São Paulo na manifestação de 24J, contra Bolsonaro e seus genocidas.  

Protestar contra qualquer monumento histórico favorável, ou ligado diretamente a massacres, escravidão, expropriação, saques e todos os crimes contra a civilização, é justo e pedagógico. Atear fogo em uma estátua, em meio a uma manifestação democrática, é burrice. 

O grupo que espalhou e ateou fogo em pneus sob a estátua naquele dia não colaborou em nada com o ato, pelo contrário, deu munição para aqueles que são alvos dos manifestos. Lembrem, metais sofrem corrosões naturais, mas existem métodos químicos que aceleram esse processo. 

Trazer discussões secundárias paras as ruas só servem para desviar o foco do núcleo dos interesses coletivos, e pautar as narrativas da extrema direita. 

O grupo se autodenomina Revolucionário, mas parece que é só na retórica, apesar de pertencerem a uma classe historicamente sufocada, desalojada dos lugares de bem-estar social e conhecimento acadêmico.  

O Revolução Periférica atraiu o inimigo para a periferia, que é a arena onde o poder público, através da repressão policial, está acostumado a conter qualquer avanço politizado e reivindicatório por melhor qualidade de vida. 

De certa forma, é preciso avaliar que, no atual contexto, lutamos contra uma extrema direita fascista, capaz de infiltrar membros para tumultuar e desqualificar atos legítimos, motivando um contra-ataque como o especulado à estátua de Paulo Freire. 

Essa extrema direita quer o confronto dentro de suas regras, e atitudes extremas como incendiar ‘coisas’, nos aproxima daquilo que eles querem que a opinião pública pense que somos. 

Que nos próximos atos o grupo Revolução Periférica participe ostensivamente contra Bolsonaro e seus genocidas, utilizando os espaços de liberdade propiciados pela democracia, caso contrário, vira massa de manobra. 

Finalizando, uma dica aos detratores da Educação e da civilização, que porventura estejam procurando um monumento a Paulo Freire para vilipendiar: Em Estocolmo, na Suécia, tem uma Praça com estátuas de figuras expoentes na história da humanidade, Paulo Freire está lá representado, ao lado do também consagrado Pablo Neruda. 

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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