247 – “O depoimento de vossa senhoria não bate em absolutamente nada”, resumiu a senadora Simone Tebet (MDB-MS) ao coronel da reserva Marcelo Blanco, ex-assessor de Logística do Ministério da Saúde, que depõe à CPI da Covid nesta quarta-feira (4).
Blanco foi desmascarado em tempo real pelos senadores da Comissão em diversos pontos de seu depoimento, durante o qual negou ter cometido irregularidades na negociação de vacinas entre o governo e o setor privado por meio da Davati, representada pelo cabo Luiz Paulo Dominghetti e Cristiano Carvalho.
O coronel disse que seu interesse em colocar em contato os representantes da Davati com servidores do Ministério da Saúde era negociar vacinas no futuro para o setor privado. À época, no entanto, sequer a elaboração de um projeto de lei para que o setor privado pudesse comprar vacinas era discutido. Acabou não sendo aprovado.
O fatídico jantar para o qual Blanco levou Dominghetti a fim de que conhecesse Roberto Dias, que ocupava o cargo de diretor de Logística da pasta, segundo ele não foi marcado. Ele até negou ter levado Dominghetti ao jantar, mesmo que, de alguma forma, tenha confirmado tê-lo deixado lá para encontrar Dias.
E mesmo negando em diversos momentos ter algum interesse em fazer a conexão entre a Davati e o governo federal, coronel Blanco admitiu ter recebido um convite para assumir um braço da VTCLog, empresa investigada pela CPI e que na cúpula de comando militares que atuaram no Palácio do Planalto.
Os indícios de ilegalidades são muitos e os senadores não deixaram passar. “É muita vergonha alheia”, resumiu Alessandro Vieira (Solidariedade-SE). “Eu lamento muito que cheguemos a este ponto de ter gente tão desqualificada dentro do ministério da Saúde”, desabafou. O presidente da CPI, Omar Aziz, disse: “era um nó cego querendo dar volta no outro nó cego”.
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) disse ter se sentido “pessoalmente ofendido”, por ser contador, com o relato de Blanco sobre os motivos de ter alterado, em um escritório contábil, as funções da empresa que abriu de consultoria financeira para representação para venda de medicamentos, logo depois do conhecido ‘chopp no shopping’. Ele também defendeu “detector de mentiras” na CPI.
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