Tudo pode acontecer no Brasil na era Bolsonaro, desde um golpe com sucatas militares até uma ameaça de golpe sertanejo. Não sei o que seria mais letal, os tiros de canhão enferrujado, ou um show com Sérgio Reis e Amado Batista no mesmo palco.
Sem ofender quem gosta da dupla, ou desmerecer o estilo de música cantada por eles, mas o que esses dois personagens protagonizaram é, no mínimo, um desacato à nossa inteligência.
As bravatas de Bolsonaro estão fazendo sucesso entre o pessoal mequetrefe que gosta de posar de fortão, falar grosso, publicar foto empunhando arma, ameaçar autoridades, mas que afinam quando a coisa aperta.
O cantor [sic] Sérgio Reis foi para debaixo da saia de sua esposa quando sentiu que suas ameaças repercutiram, tendo sido alvo de busca e apreensão pela PF, por conta dessa bravata: “Vocês [senadores] têm 72 horas para aprovar o voto impresso e tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido, é uma ordem (…) Se vocês não responderem em 72 horas, iremos dar mais 72 horas, mas o Brasil irá parar (…) E se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra”.
O outro cantor [sic], Amado Batista, também gravou vídeo convocando a ‘boiada’ para atos antidemocráticos. Melhor fossem covardes assumidos como o Prevaricador Geral da República, Augusto Aras, que não fala grosso com ninguém, é uma bananeira ornamental que Bolsonaro ora coloca, ora retira do sol.
Os senadores Alessandro Vieira e Fabiano Contarato, entraram com notícia-crime contra Aras no STF por prevaricação. “O comportamento desidioso do Procurador-Geral da República fica evidente não só pelas suas omissões diante das arbitrariedades e crimes do presidente, mas também pelas suas ações que contribuíram para o enfraquecimento do regime democrático”, afirmaram Vieira e Contarato.
Outro bravateiro de plantão, Eduardo Bolsonaro, disse essa frase em uma entrevista: “Vai chegar uma hora em que essas ordens da mais alta Corte do judiciário nacional não vão ser cumpridas”. Flávio Dino, governador do Maranhão, respondeu cirurgicamente: “Não chegará tal hora. Nem com soldado, nem com cabo, nem com capitão. O Brasil é muito maior do que milícias e miniditadores”.
A temporada das bravatas está aberta, não vamos nos intimidar com fanfarrões atrás de uma câmera.
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