Para escapar a um fiasco eleitoral, o ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro, partiu para uma candidatura a deputado, em mais uma de tantas renúncias que caracterizam sua performance na vida pública.
Primeiro, a renúncia ao direito, ao ter sido um dos tristes protagonistas do lavajatismo, que desnaturou a função jurídica e enveredou para o emprego ativista da justiça, no jogo da disputa e da perseguição política, e na sustentação de um projeto de extrema-direita que destruiu, nesses últimos quatro anos, o Brasil, atacou seu povo e tentou findar com as conquistas constitucionais e o Estado Democrático de Direito.
Depois, a renúncia à magistratura, no resultado de indireto apoio advindo de condenações ilegais, em situação, hoje indiscutível, de incompetência e suspeição, para tentar se tornar chefe da polícia federal, em falta de compreensão da verdadeira função do Ministério da Justiça.
A terceira renúncia veio exatamente da disputa pelo comando dessa polícia com o presidente da República.
A ida para a vida privada da consultoria de empresa que teria exercido seu trabalho em processos do lavajatismo, a par de polêmica, ainda reservou uma quarta renúncia, na busca por um espaço político que se mostrou inviável.
No primeiro de abril – muito significativa a data – a notícia de dupla renúncia: ao partido político que o teria acolhido e sustentado o projeto frustrado da candidatura à presidência; e a esse mesmo projeto.
Na ausência de histórico relevante e de propostas concretas, a ida à disputa de uma vaga à Câmara – por Estado que nada tem a ver com a história do agora candidato – apenas demonstra a necessidade de se aprofundarem as investigações sobre os males causados pelo lavajatismo e por uma performance lamentável, que colocou em risco a credibilidade da justiça, no curso de um plano de ação cujos verdadeiros artífices e apoiadores ainda precisam ser revelados, para o bem da política e da justiça.
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