Parcela gigantesca dos problemas que os governos do PT tiveram ao longo dos cerca de seus 13 anos de duração foram oriundos de fogo amigo. Parcela do PT deixou o partido já no comecinho do primeiro governo Lula e se instalou em pequenos partidos que serviram à mídia antipetista ao atacarem os dois presidentes da República petistas com fé e fúria.
Lula está lutando para governar o Brasil em ínfima minoria no Congresso e evitar um impeachment. Devido ao fato de que foi eleito no âmbito de uma frente ampla que extrapola em muito o conjunto dos partidos que o apoiaram na campanha eleitoral do ano passado, o presidente precisa se equilibrar na retórica política.
Ao longo dos governos pretéritos de Lula e Dilma, toda vez que o Jornal Nacional atacava um deles, chamava um pefelista, um tucano e um psolista para fazerem eco às suas críticas. Era uma forma de legitimá-las.
Uma candidata a presidente pelo PSOL chamava Sergio Moro de “herói” e anunciava que era “hora de apoiar a Lava Jato”. Em 2013, um movimento de esquerda chamado “passe livre” produziu as manifestações que trouxeram de volta a extrema-direita nazisfascista e bolsonarista.
Nas últimas semanas, Lula foi atacado por declarações cautelosas sobre o conflito russo-ucraniano; o presidente tentará mediar o conflito e não conseguirá tomar partido de um dos lados.
Impressiona, porém, a quantidade de esquerdistas que foram às redes atacar Lula por falar a verdade, que essa história de plano para matar Moro cheira mal, já que a eterna juíza teleguiada de Sergio Moro, Gabriela Hardt, contrabandeou seu controlador para dentro da investigação sobre planos do PCC para matar autoridades — até dezembro do ano passado, ele não figurava como alvo.
Já vimos esse filme. O trecho mais desalentador foi em 2013, mas antes de Dilma assumir, em 1o de janeiro de 2015, foi alvo de fogo amigo por nomear ministros da frente que a elegeu e da qual também precisaria para governar. Gente do seu campo político a acusou de “estelionato eleitoral”, tese que a extrema-direita levou gostosamente aos protestos na avenida paulista.
Lula não falou besteira coisa nenhuma, sobre o caso dos planos para matar Moro. E sua fala sobre “foder Moro” foi distorcida; ele disse que, encarcerado, cometeu o erro de pensar em vingança. Quem pensaria diferente em tal situação?
Um novo governo de extrema-direita vai se tornar rapidamente uma ditadura cívico-militar até pior que a de 1964. Bolsonaro ou seu preposto — ou preposta — não arriscará perder nova eleição após “foder” o Brasil, como o “mito” fez ao longo de 4 anos. É bom que quem não quer isso comece a usar seus neurônios. Não foram feitos para enfeitar o cérebro.
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