A consagração de Vini Jr devolve ao Brasil a alegria de torcer por um ídolo bom de bola e associado a causas justas para todos.
É o oposto de Neymar, símbolo de um futebol mercenário, individualista, a face boleira de um extracampo bolsonarista.
Vini Jr combate o racismo por um esporte inclusivo, tolerante e acolhedor – um sopro de esperança para a dignidade de tantos brasileiros negros vítimas de preconceito.
A identificação com o ídolo corajoso e vencedor impulsiona a coragem para sobrepor – dentro e fora do gramado – o apartheid de violência na alma do país.
Neymar representa a mercantilização da bola, a percepção do futebol como atalho a jogadas financeiras e à ostentação.
Usa a fama para promover o bolsonarismo, em cuja essência estão a violência e a segregação de pobres, pretos, favelados.
O esquema das praias reverbera esse ataque à base social do Brasil ao acenar com a privatização do bem de todos – oficializa a segregação no lazer sob disfarce de promoção turística.
Vini Jr transpõe para o campo a garra usada para enfrentar o racismo – não cai, luta e ocupa o centro do mundo da bola como ato de resistência e perseverança.
Neymar expressa a filosofia típica do êxito capitalista com individualismo excessivo para benefício particular e financeiro, do cai-cai forçado ao refúgio nas arábias.
Torcer por Vini Jr é abraçar do futebol à reparação histórica, do gol à libertação do racismo imposto por séculos de opressão.
Torcer por Neymar é ceder ao desgosto de um país aprisionado por retrocessos de extremismos, individualidade e usurpação da coletividade pelo dinheiro.
Em resumo: Vini Jr dá praia. Ney, nem mar deixa.
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