O clamor da mídia corporativa para calar Lula sob pretexto fajuto de conter a alta do dólar embute a típica reação elitista de silenciar toda voz em defesa dos menos abastados.
É um ato clássico do confronto de forças desiguais no Brasil – a estigmatização do discurso popular como desestabilizador e problemático para manter intactos os privilégios de uma classe dominante.
Essa mordaça é invariavelmente camuflada com desqualificação do interlocutor – no caso, Lula – para desviar o foco do conteúdo para a forma e, assim, esvaziar o discurso.
É uma inversão de responsabilidades para eximir o preposto do mercado à frente do Banco Central e normalizar uma investida criminosa contra o equilíbrio das finanças do país.
Lula vocaliza o interesse público e popular ao denunciar o ataque especulativo à moeda, mas a mídia manobra para atribuir à fala dele o produto desse esquema.
Faz o mesmo quando rotula de antiquado, verborrágico, ultrapassado, histérico, populista, intervencionista – a linha é descredibilizar para censurar, silenciar.
Repete um padrão de intimidação aplicado a posicionamentos soberanos do brasileiro em questões internacionais como representante de um Sul global contra uma ordem unipolar do mundo.
Enquanto chefes de nações estrangeiras convidam o presidente enquanto líder relevante em questões do clima à paz, a imprensa nacional produz factóides e futilidades para esconder as palavras – sinal evidente de um viralatismo editorial incurável.
O silenciamento forçado de lideranças de esquerda tentou enquadrar e calar a ex-presidenta Dilma Rousseff com manchetes misóginas para insinuar instabilidade emocional quando havia firmeza e coerência da petista.
É uma estratégia de apagamento e ocultação permanente para impedir o despertar do senso crítico da opinião pública contra injustiças propaladas como naturais.
Essa mídia a serviço do dinheiro e dos ricos atua para naturalizar opressões e esmagar dissonâncias – e a voz de Lula é ponto de resistência por uma realidade mais justa.
Fala, Lula – o silêncio é rendição do Brasil.
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