Este final de semana, um amigo me chamou pelo WhatsApp com uma pergunta bastante provocativa: qual seria uma linha possível de atuação para os próximos movimentos da base social do governo? De pronto, respondi: essa é a pergunta do milhão. Uma questão genial, instigante para o pensamento. E, seguimos na conversa, a desenvolvendo juntos.
Começamos pelo diagnóstico. Primeiro, é importante destacar que hoje é inegável a atuação da família Bolsonaro na articulação da ofensiva do governo norte-americano contra o setor produtivo e os empregos brasileiros – materializada no tarifaço. Até mesmo aliados históricos do bolsonarismo, como o agronegócio, reconhecem isso. É igualmente inegável a participação ativa da família – com o filho 03 como porta-voz – nos ataques norte-americanos à soberania nacional brasileira: exigindo o fim do processo que Jair Bolsonaro responde no STF por tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito e cancelando os vistos de autoridades brasileiras.
Tendo esse elemento como centro da conjuntura, elaboramos o seguinte caminho – que pode ser resumido em uma frase: tirem as máscaras de todos. Ou seja, é hora de dizer claramente à sociedade brasileira quem é quem nesse processo de ataque ao Brasil articulado desde os Estados Unidos. Adversários de ontem, de hoje e, certamente, de amanhã não podem sair ilesos. O desgaste político não pode recair apenas sobre os aloprados: é preciso atingir também aqueles que se beneficiam – e muito – do enfraquecimento político do clã Bolsonaro.
Isso significa sugerir à base social do governo que coloque no mesmo saco – porque de fato pertencem a ele – todos os atores políticos que caminharam de mãos dadas com o bolsonarismo e que, diante do momento de verdadeira união nacional contra inimigos internos e externos do Brasil, optaram por não se diferenciar do espectro golpista.
Listamos alguns exemplos que ilustram bem essa linha de ação: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo; Ratinho Junior, do Paraná; Ronaldo Caiado, de Goiás; Romeu Zema, governador de Minas; Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul; e Ciro Gomes, “ex-ummontedecoisas”. Esses nomes ficaram tergiversando, fugindo do essencial, tentando confundir em vez de esclarecer. Passaram pano para criminosos lesa-pátria, com o claro objetivo de recepcionar os votos do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo. Por isso, precisam ser apresentados como cúmplices, coniventes, complacentes, tolerantes, permissivos – em suma, sócios de um projeto político e de poder.
Concluímos, portanto, depois de uma boa conversa, que cabe à base social do governo nominar todos os representantes desse movimento. Apontá-los com clareza como inimigos do Brasil. Porque, como diz o ditado: quem cala, consente. Quem não se levanta contra, aprova. E quem se omite, corrobora. Não daria, dentro de uma estratégia de enfrentamento para o próximo ano, permitir que adversários em potencial se finjam de mortos hoje para colher os frutos políticos depois.
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