Opinião

Nem pra Huguinho serve

Hugo Motta escolheu outro caminho. Preferiu ser Luizinho – o esperto preguiçoso

Hugo Motta
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reiteradamente tem demonstrado que nem atributos mínimos para ser sobrinho do Pato Donald ele possui. Alçado à maior cadeira daquela Casa legislativa pelo padrinho Arthur Lira, o deputado paraibano insiste em expressar sua pequenez – ora em atitudes, ora na total ausência delas.

Fosse o Huguinho, irmão de Luizinho e Zezinho, ao menos teria um senso elementar de responsabilidade e um mínimo de disciplina institucional. Seria organizado, como um escoteiro aplicado; seguiria o manual à risca – ou seja, a Constituição. Fosse Huguinho, seria metódico, planejador, dedicado às soluções corretas, porque carregaria um traço essencial: idealismo ético. Como o personagem, seria o famoso “certinho”.

Mas Hugo Motta escolheu outro caminho. Preferiu ser Luizinho – o esperto preguiçoso. O que busca atalhos, acordos improváveis, fórmulas fáceis para problemas complexos. Em vez de exercer a liderança com base na técnica, opta pela malandragem institucional, pelo cálculo raso, pelo movimento que exige menos esforço. Um verdadeiro discípulo do atalho. Hugo, que decidiu ser Luizinho, mostra-se um presidente absolutamente refém do clima ao seu redor. Logo, não é um líder – é um liderado pela manada. Um “estrategista preguiçoso”, daqueles que ficam esperando que alguém resolva as coisas por eles.

Do seu padrinho político recebeu a avaliação que faltava para completar a caricatura: “esculhambação”. Assim Arthur Lira definiu o desempenho de Hugo Motta à frente da Mesa Diretora – por motivos diversos, é verdade, já que Lira havia saído derrotado na votação sobre o pedido de cassação do deputado Glauber Braga. Ainda assim, o adjetivo resume com perfeição o estado atual da Câmara: uma instituição refém de decisões improvisadas, interesses cruzados e um presidente incapaz de sustentar o próprio posto.

A invertida sofrida por Hugo após a decisão de Alexandre de Moraes – que determinou a imediata perda do mandato de Carla Zambelli horas depois de Motta permitir que sua absolvição fosse votada – é apenas mais um retrato fiel da sua absoluta incapacidade de compreender o lugar que ocupa. E aqui não falo de ser de esquerda ou de direita, governista ou oposicionista. Trata-se de estatura política, algo que não se falsifica.

Qualquer estudante do primeiro ano de Direito sabe que, após o trânsito em julgado, cabe à Mesa Diretora apenas declarar a perda do mandato e convocar o suplente. Ponto. Não existe margem para questionamento, interpretação criativa ou submissão ao clamor da arquibancada digital. Mas Motta, sempre sensível aos gritos do entorno, preferiu atender ao coro – e permitiu a votação.

Agora vai espernear. Fará pose. Oferecerá palanque para a vitimização profissional da extrema-direita. Renderá manchetes indignadas, entrevistas ensaiadas, talvez até discursos inflamados no Plenário. Mas a verdade – dura, simples, inevitável – é que terá de declarar a cassação de Zambelli e, em 48 horas, dar posse ao suplente. Que, diga-se, não deve ser muito melhor do que a titular, mas essa é a regra. E se o presidente da Câmara fosse o Huguinho, o sobrinho de Donald – disciplinado, ético, metódico – ela já teria sido cumprida há muito tempo.

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Cortes 247

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