Opinião

Making Off: o drama que virou estreia mundial sem querer

O “making off” virou sátira política: um set improvisado onde milhões de reais circulavam como se fossem figurinos.

Flávio Bolsonaro, agente da PF, Daniel Vorcaro e, ao fundo, Congresso e Banco Master
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Nos bastidores de cinema, sempre há drama, improviso e personagens que parecem saídos de um roteiro duvidoso. No caso da suposta ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o “making off” virou sátira política: um set improvisado onde milhões de reais circulavam como se fossem figurinos.

Flávio, no papel de produtor ansioso, ou agiota, cobrava repasses como quem exige que a cena seja gravada antes do pôr do sol. “Irmão, estarei contigo sempre”, soava mais como fala ensaiada de um melodrama barato do que como mensagem de confiança.

Vorcaro, banqueiro e coadjuvante de luxo, acabou vivendo o papel clássico do vilão que tenta fugir antes do clímax. Preso pela Polícia Federal, virou personagem de suspense, com direito a perseguição e final abrupto.

O Banco Master, cenário secundário, foi liquidado pelo Banco Central. O rombo bilionário funcionou como explosão de efeitos especiais, só que sem imagens geradas por computador: era dinheiro real evaporando, deixando plateia e críticos boquiabertos.

Enquanto isso, o filme Dark Horse seria a grande estreia, mas virou símbolo de suspeita. Os recursos atravessaram fronteiras, como se fossem locações internacionais, e chegaram a fundos ligados a aliados de Eduardo Bolsonaro. O roteiro ganhou escala global.

A imprensa estrangeira entrou como plateia exigente. O Clarín descreveu o impacto político como se fosse crítica de festival: “um drama que ameaça o mercado financeiro brasileiro”. O filme, sem querer, estreou em circuito mundial.

Flávio tentou reescrever o roteiro propondo uma CPI, como diretor que quer salvar a produção depois de críticas negativas. Mas a plateia já havia visto demais: os bastidores estavam expostos, e o making off era mais revelador que o filme.

No fim, o “making off” desse escândalo mostra que política e cinema compartilham algo em comum: quando o roteiro é ruim e os bastidores são caóticos, o público sai da sala com a sensação de ter assistido a uma comédia involuntária.

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