O juiz Marcelo Bretas e o governador do Rio, o ex-juiz Wilson Witzel, são amigos de longa data, saem juntos, se frequentam; domingo (21/07), por exemplo, foram ao Maracanã, acompanhados das esposas, assistir à final do Flamengo. Há outras evidências a aproximá-los: viajaram no mesmo jatinho rumo à posse de Bolsonaro e, semana passada, a irmã de Bretas foi nomeada por Witzel para a Controladoria Geral do Estado. Não há irregularidade no ato. A nomeada tem credenciais de sobra para o cargo. Trata-se, portanto, de uma amizade antiga, sólida, natural, cuja origem é a magistratura, na qual Witzel se credenciara para disputar e ganhar o Governo do Rio.
Há contudo algumas ponderações a fazer no comportamento de Bretas: está em suas mãos o futuro de alguns políticos do estado denunciados na operação Lava Jato. Como Witzel é parte interessada neste jogo, qualquer decisão de Bretas envolvendo prováveis adversários do governador poderá ser tomada com desconfiança. A proximidade de ambos já está estimulando especulações de que Eduardo Paes poderá ser retirado da sucessão municipal por decisão judicial. Bretas não tem outra saída, a não ser se declarar impedido de julgar alguns casos, especialmente os relacionados a prováveis candidatos nos próximos pleitos. Se não o fizer, suas decisões ficarão eivadas por suposta parcialidade – pondo a pique um dos princípios basilares da magistratura.
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