Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia
Enquanto o horror da guerra entre Rússia e Ucrânia continua sacudindo o planeta, bem longe dela um lado já saiu bastante fortalecido: o do agronegócio mais impudico do Brasil, com Jair Messias e a cambada do chamado bloco ruralista da Câmara de Deputados vibrando de emoção. E, por tabela, os garimpeiros ilegais, os devastadores do meio-ambiente, os invasores de terras indígenas, e por aí vai.
Nesta quarta-feira nove de março o líder do governo na Câmara, o mais que suspeito paranaense Ricardo Barros, pediu urgência para que seja posto em votação o Projeto de Lei assinado por Jair Messias que autoriza a mineração em terras indígenas, além de liberar a construção de hidrelétricas e a plantação de transgênicos nessas reservas até agora supostamente protegidas.
Depende de Arthur Lira, essa figurinha abominável que preside a Câmara, aprovar ou não o pedido de urgência. E como ele é favorável a liberar o que for ruim para o país, o risco é altíssimo.
Se aprovado o pedido, tudo deslizará com rapidez olímpica: fica dispensável o debate e a análise em comissões parlamentares, e o tema vai direto para o plenário.
A desculpa da urgência é a guerra, e a possível suspensão de exportação de fertilizantes russos para o campo brasileiro.
Na verdade, o que existe é pura manipulação: para aproveitar um dado real – a guerra e a suspensão de exportação de fertilizantes – Jair Messias e sua trupe defendem que se arranque potássio das reservas indígenas. Esquecem um pequeno detalhe recordado por quem entende do assunto e se apavora e se indigna cada vez mais com a desfaçatez messiânica do presidente: não há potássio em terras indígenas. E se houvesse, entre começar a mineração e chegar à produção de potássio seria preciso um longo e robusto para de anos. Ou seja, seria urgente encontrar novos fornecedores no mercado internacional, como o Canadá.
No fundo, o que de verdade querem Jair Messias e a cambada que vai atrás dele é, além de incentivar como já vem sido feito, institucionalizar o crime ambiental, ocupando e montando garimpos ilegais e perversos em terras indígenas. A bancada ruralista abana a bandeira mentirosa da “geração de empregos e desenvolvimento” nas regiões a serem invadidas. Tudo que geram é devastação.
É mais um passo para acabar de destroçar o país. Devemos todos reconhecer que ao menos uma vez, uma única e exclusiva vez, Jair Messias não mentiu. Foi quando ele anunciou que, antes de pensar no país que pretendia construir, seria preciso destruir absolutamente tudo que existe.
E essa tarefa ele vem cumprindo, para desgraça de todos nós, com um talento e uma dedicação de dimensões assombrosas.
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