Opinião

A posse de Merval

“A posse de Merval Pereira na presidência da Academia Brasileira de Letras foi a primeira na história com protesto na calçada”, relata Hildegard Angel

Merval Pereira
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Por Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia

Visibilidade, fama e poder é bom, mas também tem seus revezes. A posse ontem de Merval Pereira na presidência da Academia Brasileira de Letras foi a primeira na história com protesto na calçada em frente a entidade. 

A FIST – Frente Internacionalista dos Sem Teto – levou faixas, com Fora Bolsonaro, e fez barulho contra o preço da gasolina. Apesar dos manifestantes serem poucos, o mal estar dos imortais foi muito.

Via de regra, suas solenidades são, como a palavra diz, solenes. Mesmo as mais concorridas, são elegantes e bem colocadas. Falo, naturalmente, das posses dos novos imortais em suas cadeiras respectivas. 

O já imortal e ja encadeirado há algum tempo Merval inaugurou sua gestão como presidente dando festa a rigor, o que não é usual. Quantos e quantos presidentes da ABL, cujo mandato é de exíguos dois anos, tomaram posse discretamente, no máximo com uma cerimônia entre pares, e com um comunicado à imprensa. 

A nova gestão Vênus Platinadas vem exuberante, de acordo com o Terceiro Milênio, que a cada minuto entroniza nova safra de famosos. 

Os curiosos, que pesquisarem no Google, não encontrarão registros fotográficos de “posse de presidente da ABL” anterior a esta de Merval. Mas, como diria outro confrade de Pereira, confrade global, Ibrahim Sued, “os cães ladram e a caravana passa”.

A caravana de Merval Pereira inaugura um novo velho tempo, com longos e smokings no Rio 40°, ao soar das trombetas, dos gritos de protesto do FIST contra a fome e o preço da gasolina, ao rebumbar dos bombardeios, ao pavor de guerras que matam até com pássaros migratórios patogênicos.

Com a torcida por um frutífero e bem sucedido mandato, pois a Casa de Machado de Assis merece o melhor, e nada, mas nada mesmo, abala o prestígio que lhe é devido pela memória e pelas realizações dos ilustres, notáveis e exemplares membros de sua História, como Evandro Lins e Silva, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Sabato Magaldi, Origenes Lessa, Lygia Fagundes Telles, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Barbosa Lima Sobrinho, Antônio Houaiss, Aluísio Azevedo, Guimarães Rosa e demais membros que os sucederam.

Le roi est vivant!

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