Opinião

A segunda onda da crise

“Hoje é que será possível tomar o pulso do Congresso em relação ao desvelamento do que nunca esteve realmente oculto, a verdadeira razão do impeachment: afastar Dilma para que Temer assumisse e promovesse um acordão que estancasse a sangria dos políticos pela Lava Jato”, diz a colunista Tereza Cruvinel; “Quem começou a ser sangrado foi…

Brasília- DF 23-05-2016 Presidente interino, Michel Temer, durante entrega da meta fiscal 2016 ao presidente do senado Renan Calheiros. Foto Lula Marques/Agência PT
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Hoje é que será possível tomar o pulso do Congresso em relação ao desvelamento do que nunca esteve realmente oculto, a verdadeira razão do impeachment: afastar Dilma para que Temer assumisse e promovesse um acordão que estancasse a sangria dos políticos pela Lava Jato. O que se viu ontem, uma segunda-feira preguiçosa, foi o silêncio do PSDB, do Centrão, do Supremo e do Renan (que teve a pachorra de dizer que não leu a transcrição dos diálogos entre Romero Jucá e Sergio Machado).  Quem começou a ser sangrado foi Jucá mas pode estar começando uma nova escalada da crise que derrubará a ordem política carcomida que elegeu Temer como tábua de salvação.

Se o script da Lava Jato não mudou, vamos ter a homologação da delação de Machado pelo ministro Teori Zavascki e vazamentos de outras gravações, as que teriam sido feitas com Renan e Sarney.  E desta vez,  só haverá o PMDB de Temer na roda.  Como ele poderá resistir se os tripulantes começaram a desembarcar?  Ontem foi o pequeno PV, que sentido cheiro de sangue no ar, anunciou sua independência. E isso tendo indicado Sarney Filho para o Ministério do Meio Ambiente. Assim faziam também com Dilma.

Marcada para as 11 horas, a sessão que Renan prometeu a Temer para discutir e votar o ajuste da meta fiscal, a anti-meta de R$  170,5 bilhões, vai ser um pandemônio.  Como no tempo de Dilma, a crise política atropelará a agenda econômica. O dia não recomenda o outro evento previsto, a apresentação, por Meirelles, das medidas de ajuste, como corte de despesas e providências para aumentar as receitas.

Onde este repique da crise política vai dar,  ninguém sabe. Mas existem algumas no caminho. Dilma precisa de três ou quatro votos para livrar-se do impeachment no Senado. Mas como iria governar, não tendo um terço da Câmara baixa (sentido literal, por favor). E continua havendo lá,  no TSE, sob a guarda do ministro Gilmar Mendes, a ação que pede a impugnação da chapa Dilma e Temer. A impugnação completa, ainda este ano, daria em nova eleição presidencial. Após 31 de dezembro, na eleição indireta de um novo presidente por este mesmo Congresso que está aí, e que foi capaz de montar a liturgia do impeachment tentando desmontar a Lava Jato. Esta saída, os brasileiros não merecem mesmo!

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Cortes 247

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