Opinião

Administração Machado

Oxalá ousemos sonhar uma Piracicaba inclusiva, bela já é

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O livro A história das esquerdas no interior paulista, lançado neste último sábado, no Sindicato dos Municipais, versa de forma genuína sobre os movimentos das esquerdas. Nesse livro, o ex-prefeito Machado conta da chegada dele à administração de Piracicaba.

A rejeição das esquerdas vinha carregada de provincianismo, malvista como um bicho papão. A administração Machado, de 1989 a 1992, foi um governo de acolhida. O povo pôde participar pela primeira vez da elaboração do Orçamento Público municipal, iniciado por esse governo das esquerdas. Piracicaba promoveu pautas sociais sob a sua administração, muitas delas de reivindicações reprimidas.

Diziam que “o governo dele é interrá cano, chi, essas obra qui ninguém vê, num dá voto ninhum”. A água tratada pelo SEMAE recebeu novos recursos, um tratamento químico específico com o cloreto férrico, carvão, flúor e uma qualidade acima da média. Aumentaram-se os reservatórios e a rede de distribuição (canos enterrados), pois antes de Machado o tratamento era baseado no cloro cujo odor queimava o nariz. Promoveram-se cursos e palestras para atualização profissional dos funcionários e reajustes salariais com regras claras. 

O prefeito promoveu a urbanização de favelas, arruamentos, estendeu a energia elétrica às periferias, coletas de lixo e o cata-cacareco semanal, danças e música nos bairros, com os projetos teatrais nos centros comunitários e nas escolas, servidas com merenda substanciosa. No desporto de base, promoveu o esporte e o lazer, garantiu o acesso de crianças oriundas de famílias pobres às creches e pré-escolas municipais, promoveu a Educação de Adultos pelo Método Paulo Freire. Promoveu também a modernização da Guarda Civil Municipal.

Elaborou o Programa Primeiro Emprego à juventude, o Projeto Clarear – voltado à cidadania de pessoas com deficiência visual, e o Programa do Idoso.

Implementou o Estatuto da Criança e do Adolescente, do governo federal, e implantou o Observatório Astronômico de Piracicaba (hoje desativado). Implantou também a Usina de asfalto e apoio à autoconstrução com oferta de materiais a preço de custo. Através de Machado, Piracicaba foi uma das primeiras cidades do Brasil a implementar o Sistema Único de Saúde. Construiu o Terminal Central de Integração e implantou o sistema integrado de transporte coletivo, com grande êxito pela rapidez, assentos ocupados, otimização do bilhete e segurança.

Criou a EMDHAP, para casas populares, e os varejões municipais. Para recuperar o rio e mananciais, o governo Machado liderou a criação do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba e Capivari.

Inaugurou a Ponte Pênsil de acesso às Festas das Nações, que foi transferida do antigo Lar Franciscano para o novo espaço do Engenho Central, este desapropriado e tombado por José Machado e, atualmente, ponto alto de festividades, eventos, shows, estudos, exposições como o Salão de Humor e dramaturgias como a Paixão de Cristo. As esquerdas ousaram. A cidade tinha feito o translado e preservado suas origens. Machado se elegeu deputado e voltou ainda uma vez como prefeito em 2001. Oxalá ousemos sonhar uma Piracicaba inclusiva, bela já é.

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Cortes 247

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