Já se começa a discutir, nas campanhas a prefeito, à luz dos últimos acontecimentos, até que ponto ter o PL na coligação e o apoio de Bolsonaro vai fazer bem ao candidato.
O futuro do partido de Bolsonaro é incerto. O presidente Valdemar Costa Neto está preso por tempo indeterminado. A busca e apreensão na sede já encontrou elos com a conspiração contra o estado democrático de direito.
Cassação do registro e pena longa para Valdemar não são possibilidades fora do radar.
Bolsonaro, o principal garoto-propaganda do PL, está em maus lençóis.
Seu futuro também é incerto, mas há algumas certezas.
Seu prestígio sofreu um forte abalo com a exibição da infame reunião ministerial de 5 de julho de 2022 em todos os meios de comunicação.
Os bolsonaristas mais empedernidos podem não ter sido afetados, mas o eleitor de classe média, sim. Não é possível avaliar ainda o tamanho do prejuízo, mas ele tende a crescer com o passar do tempo.
Tudo indica que Bolsonaro será assunto negativo na imprensa – e nas redes sociais – por muito tempo, durante toda a campanha.
Daqui até junho novas provas poderão surgir a partir das buscas e apreensões de anteontem. Espaço na imprensa não vai faltar para elas.
Em junho deverão terminar as investigações. Haverá repercussão.
A seguir as investigações vão seguir para a PGR. Mais repercussão.
E depois para o STF. O mais importante julgamento da nossa geração.
A pergunta do ano será “quando Bolsonaro será preso”? É só disso que vão falar nos becos e nos botecos.
Associar o candidato ou o partido a um político prestes a ser julgado por golpe de estado vai dar voto? Ou tirar? Imaginem como as campanhas dos adversários vão se aproveitar disso. Vão colocar neles o rótulo de aliados do golpista.
O prefeito de São Paulo vai topar ser apadrinhado por um ex-presidente que tentou incendiar o país e está sujeito a cumprir pena por golpe de estado?
Vai aceitar que o ex-presidente que tentou dar um golpe de estado indique o seu vice?
Vai deixar se associar a um partido investigado por golpe de estado?
Se a resposta dele for sim, melhor para Boulos.
Leva no primeiro turno.
Apoio de Bolsonaro em 2024 virou abraço de afogado.
Imagine então em 2026.
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