Opinião

Bolsas não resolvem o estrago no ensino feito pelo governo Temer, afirma César Callegari

O MEC precisa ter força para liderar uma ‘reforma da reforma’, mostrando firmeza na sua função reguladora para exigir qualidade na formação de professores

Michel Temer
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Pouca gente – talvez ninguém – tem a qualificação de César Callegari para avaliar o programa educacional anunciado hoje (sexta-feira, 26) pelo presidente Lula. Callegari integrou por 12 anos o Conselho Nacional de Educação e foi secretário municipal de Educação de São Paulo durante a administração Fernando Haddad. Atualmente é presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada.

Para Callegari, o governo acerta ao tomar a iniciativa que está ao seu alcance no momento: bolsas de incentivo. Mas faz uma ressalva: “As escolas públicas de ensino médio são de responsabilidade dos Estados. Muitos deles têm sido negligentes, oferecendo educação média de má qualidade”.

O problema nos Estados, explicou Callegari ao Brasil 247, aprofundou-se com a reforma do ensino médio feita no governo Michel Temer. “O MEC, agora, precisa ter força para liderar uma ‘reforma da reforma’, mostrando firmeza na sua função reguladora para exigir qualidade na formação de professores”, salienta.

Sem professores preparados e valorizados, destaca o educador, não haverá bolsa que retenha os alunos na escola. “A escola tem que ser relevante, significativa e prazerosa para os estudantes”, frisa Callegari.

Assinado hoje (26) pelo presidente Lula, o decreto que regulamenta o Programa Pé-de-Meia prevê a concessão de uma bolsa de permanência no ensino médio a 2,5 milhões de estudantes com renda familiar de até 218 reais por pessoa.

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Cortes 247

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