Opinião

Bolsonaro: a ampla cobertura da imprensa argentina e o argentino investigado

Jornais argentinos abrangendo o espectro político acompanham com atenção o desenrolar das investigações contra Bolsonaro

Jair Bolsonaro (à esq.) e Javier Milei
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Desde que foram revelados os vídeos encontrados no computador do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, a imprensa argentina dedica ampla cobertura à ameaça de rompimento institucional no Brasil.

O Página 12, de Buenos Aires, informou que Bolsonaro está “mais perto do abismo” e que, agora, sem passaporte, “não poderá mais fugir para a Argentina”, governada por seu “aliado” Javier Milei, como chegou-se a especular, de acordo com a reportagem escrita a partir de Brasília. Bolsonaro participou da posse do presidente argentino, em dezembro passado. E até agora, dois meses após a sua chegada à Casa Rosada, não existe encontro programado entre ele e o presidente Lula. A possibilidade, ainda distante, seria que os dois possam se encontrar pessoalmente durante a reunião do G20, em novembro, no Rio de Janeiro. Nada confirmado. O radar internacional de Milei está voltado, principalmente, para a política da extrema-direita – a exceção foi o papa Francisco, com quem se reuniu, no fim de semana, no Vaticano.

Após encontros com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com a primeira-ministra da Itália, Georgia Meloni, de direita radical, ele deve viajar para Washington, nos Estados Unidos, para a Conferência da Ação Conservadora, onde o ex-presidente Donald Trump promete ser a estrela do evento, entre os dias 21 e 24 deste mês de fevereiro.

Sobre a repercussão da tentativa de golpe de Estado no Brasil, os jornais e portais Clarín, La Nación, Infobae, La Politica Online (LPO) e Perfil dedicaram ampla cobertura.

“Detalhes do plano golpista no Brasil: as revelações que encurralam Jair Bolsonaro”, publicou, nesta quarta-feira (14), o jornal e site Clarín, em reportagem de duas páginas e chamada na capa de sua edição impressa. O texto foi baseado nas informações das agências internacionais de notícias (AFP, AP, EFE e o diário El País, de Madri). No texto, informa-se, quase que de forma didática, sobre o que se chamou de “a dinâmica golpista no governo Bolsonaro”, que incluiu questionamentos “sem provas” sobre a credibilidade das urnas eletrônicas e até um rascunho “do decreto golpista que contemplava a anulação das eleições e a prisão de juízes do STF e o presidente do Senado”.

As duas páginas, da edição impressa, reproduzidas na edição digital, contaram com uma retranca que informa que Bolsonaro convocou seus seguidores para o dia 25 na Avenida Paulista. Com matéria do El País, de Madri, o La Nación, de Buenos Aires, dedicou uma página inteira ao escândalo, com o título ‘Os planos de Bolsonaro para tentar um golpe de Estado’ (‘La hoja de ruta planeada por Bolsonaro para intentar un golpe de Estado’).

Tanto o La Nación como seus concorrentes (Clarín, Infobae, LPO) publicaram, nestas quarta e quinta-feira, que o empresário argentino Fernando Cerimedo, ‘um dos cérebros da campanha de Milei’, está na mira das investigações contra Bolsonaro e seus aliados da farda e do paletó no Brasil. Cerimedo foi identificado como integrante “do núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral”, informou o La Nación. A matéria foi ilustrada com uma foto do argentino e do filho 03 do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Nos últimos dias, em suas redes sociais, Cerimedo voltou a confirmar sua simpatia por Bolsonaro, sua antipatia por Lula e fez críticas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes…

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